LEÔNIDAS, ENGENHEIRO E ESPÍRITA – Jornal O Estado

Conheci o engenheiro civil Leônidas Alves de Souza quando, ainda muito jovem, fui cuidar da administração de uma empresa de economia mista, a Companhia Cearense de Sondagens e Perfurações, depois Companhia Cearense de Saneamento. Nesse tempo, Leônidas fazia a instalação de poços profundos por todo este Ceará tentando diminuir a carência de água do nosso sertão. Era um trabalho duro e ele o desempenhava com muita energia e responsabilidade profissional. Entretanto, vez por outra, Leônidas metia os pés pelas mãos e sumia por alguns dias. Homem forte, alto e capaz, deixava-se levar pelo temperamento que o transtornava, em alguns momentos. Sempre conversávamos e, ao final, tudo ficava resolvido. Logo, logo, saí dessa empresa de economia mista para ser dono do meu próprio destino, fundando, com a coragem e a cara, uma empresa. Passados alguns anos, procurei Leônidas e o convidei para trabalhar comigo. Ele já era quarentão, estava no segundo casamento, mas ainda tinha o mesmo temperamento forte e a fama de valentão, por ser destemido e não levar desaforos para casa. Tempos depois, Leônidas veio falar comigo sobre sua vida familiar. Recomendei cautela e que deixasse a cabeça esfriar. Ao mesmo tempo, sua velha amizade com Cid Sabóia de Carvalho, confesso seguidor da doutrina espírita, ia mexendo com sua cabeça. Parou de beber, reacendeu a sua fé e passou a usar roupas brancas como a mostrar que a paz estava se estabelecendo em seu coração, tornando-o manso e feliz. E nessa trilha foi se transformando em seguidor de Alan Kardec. Durante sete anos, visitava, nas manhãs de domingo, o Leprosário Antonio Diogo. Não contente apenas com sua transformação existencial, foi morar na área metropolitana de Fortaleza e montou com seus recursos e de amigos, no município do Eusébio, o Gepol- Grupo Espírita Portal da Luz, misto de grupo espírita, escola e abrigo para pessoas de todas as idades, especialmente idosos. Desligou-se enfim, após muitos anos de trabalho, da sua boa relação profissional comigo e se tornou, de verdade, um missionário da fé e protetor de centenas de pessoas que o procuram desde então. Virou o Irmão Leo. Sua fé avassaladora não se quedava. Hoje, dedica sua energia na área de cura, minorando ou extirpando males reais ou somatizados. Vai, inclusive, começar em Recife um novo trabalho, para o qual diz ter recebido chamamento. Há algum tempo, escreveu seu primeiro livro, “O Caminho da Felicidade”, lastreado na fé que professa e apaziguou seu espírito. Esse livro foi reeditado e vendido com êxito em todo o Brasil. Leônidas escreve com simplicidade, mas com embasamento teórico, abrindo sua alma e mostrando com clarividência a doutrina que professa sem alardes. Agora, nesta quarta-feira, lançou o livro “Sete Gotas de Espiritualismo Cristão”, com dupla apresentação, de autor e obra, pelos jornalistas Heraldo Pereira e Nonato Albuquerque, sem esquecer do trabalho silente e eficaz de Moacir Maia.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28/01/2011.

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