Carlos Slim Helú é, segundo a revista Forbes, o homem mais rico do mundo. Mexicano, 71 anos, descendente de libanês, engenheiro, viúvo, seis filhos, comanda grupo de empresas de ramos dessemelhantes. Hoje, o seu maior destaque é na área de comunicação liderado pela América Móvil que, no Brasil, é dona da Claro, Embratel e sócio da Globopar. Slim tem empresas em muitos países na América Latina e Estados Unidos. O nome desse grupo é Carso, fusão de Car de Carlos e So de Soumaya, sua mulher, falecida em 1999. Sua herança fenícia o fazia vender doces para parentes e amigos, aos 15 anos. Ao casar, aos 21, recebeu do pai um grande terreno para construir sua casa. Pensou, resolveu fazer nele um prédio de apartamentos, morando em um deles. Os outros, vendeu e/ou alugou. Começa aí a saga de investidor imobiliário que empreendeu, entre outras coisas, centenas de edifícios. Não parou nisso, comprou uma falida fábrica de cigarros e a recuperou. O mesmo o fez com uma cadeia de restaurantes. Quando da privatização da Telecomunicações Mexicana- TelMex, a arrematou, e a transformou, posteriormente, na América Móvil. O conheci, em agosto de 2002, em recepção e almoço no Palácio do Itamaraty, na assinatura do acordo de redução de tarifas entre o México e o Brasil, pelos então presidentes Vicente Fox e Fernando Henrique. A então embaixadora do México, Cecília Soto, conversava comigo e, à época, a embaixadora americana, Donna Hrinak, quando se aproxima Carlos Slim, a quem não conhecia. Ela o apresentou. Sentamos em uma mesa, mas Slim, ao mesmo tempo em que falava conosco, pedia desculpas, e usava, em voz baixa, mais de um celular. Intrigado, perguntei a ele, por que não desligava os celulares. Ele, polido, disse: esse é o meio com que me comunico com as minhas empresas. Depois, soube que Slim não usa computadores, embora seja um dos maiores vendedores deles do México. Econômico, sua despesa pessoal mensal é de apenas R$ 40 mil reais. Agora, com recursos de sua fundação, inaugurou na cidade do México o Museu Soumaya, grandiosa, arrojada e bela edificação contemporânea, com 66.000 obras de arte, de todo o mundo. O Museu não cobra ingressos.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 27/03/2011.

