Os jornais trabalham com pautas. Pautas são instruções da Editoria para, por exemplo, se cobrir um acidente, evento ou intempérie. Os jornais, quase sempre, mandam uma dupla: repórter/jornalista e fotógrafo/repórter. Eles vão à luta sabendo que o fato jornalístico é tal como o jornal, efêmero. Têm que ir e voltar correndo. Além disso, se a notícia interessa a todos os jornais, ganha não o que chega primeiro. Ganha o que fizer a melhor cobertura. A melhor é a manchete, chamada ou Notícia de Primeira Página. Além das grandes letras, são as fotos que induzem o leitor à matéria retratada. A palavra retratada, clicada, foi o alvo. Ela é instantânea, flagrante que o repórter fotográfico conseguiu captar em meio a policiais, curiosos, corpos ou acidentes naturais.
A exposição da Galeria Benficarte em homenagem ao Dia do Repórter Fotográfico de 02 até o dia 15 próximo, no horário das 16 às 22 horas, é evento artístico/cultural e um ato de reconhecimento ao valor desses profissionais destemidos, preparados, sutis em suas acuidades capazes de ver/captar o indizível. Não têm eles o tempo e os recursos disponíveis de um Sebastião Salgado para criar arte em meio a desastres naturais e tragédias. Têm, entretanto, os fundamentos deixados por Cartier-Bresson para a foto-jornalismo na estética momentânea, apressada até, mesmo que ela agrida – como denúncia – os sentidos de quem a vê nos jornais.
Reuniu-se o que há de mais expressivo em fotógrafos dos jornais O Povo, O Estado e Diário do Nordeste, citados na ordem de seus tempos de existência. Os artistas são em ordem alfabética. Do O Povo: Alcides Freire, Deivyson Teixeira, Edimar Soares, Fco. Fontenele, Gabriel Gonçalves, Iana Soares, Igor de Melo, Marcus Campos, Mauri Melo, Rafael Cavalcante e Sara Maia; do O Estado: Anderson Santiago, Iratuã Freitas, Nayana Melo e Tiago Stille e; do Diário do Nordeste: Alex Costa, Cid Barbosa, Eduardo Queiroz, José Leomar, Kid Júnior, Kiko Silva, LC Moreira, Marília Camelo, Miguel Portela, Natinho Rodrigues, Rafa Eleutero, Rodrigo Carvalho, Tuno Vieira, Viviane Pinheiro e Waleska Santiago. Alguns, são veteranos. Outros, maduros. Há, ainda, jovens de ambos os sexos, que escolheram essa instigante profissão. A todos, um pensamento de Ezra Pound, poeta americano: “Toda arte começa na insatisfação física (ou na tortura) da solidão e da parcialidade”.
As fotos – em preto e branco e em cores – dizem por que estão expostas. São distintas, belas e expressivas. Algumas, contundem. Outras, enlevam. Cada uma configura um flagrante, uma representação ou infunde no leitor pasmo, êxtase, incômodo, dissabor, revolta ou adesão. Cada autor vai tecendo a sua arte pela experiência, intuição, conjuntura, liberdade ou visão. Com as repetições das formas obtidas, embora dessemelhantes, tem-se o estilo, a identidade do autor.
Parabéns a todos. Creiam que esta exposição orgulha os que trabalham com a arte e a cultura na Galeria BenficArte. Eles não apenas expõem, vivenciam o que mostram. Vale a pena dar uma passada, são 150 fotos do melhor nível.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/09/2011.

