O Zócalo esteve fechado. O Zócalo é o coração da cidade do México. Monumental logradouro, como não existe no Brasil. É circular e cercado de tradição, relíquias arqueológicas, a catedral e edifícios públicos. Ali acontecem as grandes manifestações e cerimônias nacionais. Por isso, esteve fechado até quinta. Na sexta, 16, reabriu esplendoroso para a comemoração do 201º. aniversário da Independência Mexicana ou do “Grito de Dolores”, proclamado em 16 de setembro de 1810. Dou boas notícias do México, país maltratado pela mídia brasileira. O México não é um caminho circunstancial do narcotráfico. No Brasil não se sabe que a primeira universidade mexicana, a Real Pontifícia Universidade, foi fundada em 1551. Tampouco se diz que no país está a maior e mais qualificada universidade da América Latina atual, a UNAM, Universidade Nacional Autônoma do México. Pouco se comenta que o escritor mexicano Octavio Paz ganhou o Premio Nobel de Literatura, em 1990, e que Mario Molina foi o vencedor do Nobel de Química, em 1995. O Brasil luta, em meio a problemas, para sediar a sua segunda Copa do Mundo de Futebol, em 2014. O México já teve duas copas, em 1980 e 1996. Sem comoção nacional. Muitos pensam que o país asteca está na América Central, mas ele faz parte da América do Norte, constituída pelos Estados Unidos, Canadá e México. Esses três países formaram a ALCA, aliança que catapultou as relações de comércio e deu ao México o portão de entrada e a liderança em desenvolvimento econômico entre todos os países latinos das Américas. O país é presidencialista, com mandato de seis anos, sem reeleição e sem segundo turno. Felipe Calderón é o seu atual e 65º presidente e fez do mandato uma luta renhida contra o narcotráfico. Ele sai em 2012. A próxima eleição presidencial será a 1º. de julho do próximo ano e três nomes despontam para sucedê-lo: López Obrador, Marcelo Ebrard e Peña Nieto. Saiba ainda que o diretor do filme “Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban” foi o mexicano Alfonso Cuáron. Para terminar, cito Octavio Paz: “Não sei se a modernidade é uma bênção, uma maldição ou as duas coisas. Sei que é um destino…”.
João Soares Neto,
Cônsul Honorário do México
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 18/09/2011

