Há um Salão de Arte Infantil do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno em curso, é o de número 27. A parceria com a Galeria Benficarte, do Benfica, neste outubro, reproduz o desejo de que as crianças que frequentam os benfazejos salões do conservatório, dirigido e cuidado pela maestrina Miriam Carlos, cresçam em meio a todas as artes. Sem manhas. A música é a principal, a pintura é a acessória. Ambas, juntas, compõem, em parte, a pauta do viver. A partitura necessária ao crescimento, sabendo que o sol é um astro, mas é, igualmente, uma nota musical.
Estas nuances, vitais para sair do quadrado da vida dão a cada infante a oportunidade de criar, pintar e retratar o que, provavelmente, não saberiam traduzir em palavras. Abrahão Victor, Alice Barroso, Alice Sayão, Gabriela Bezerra, Helen Raíssa, João Gabriel, Lemaire Ellen, Lídia Helena, Lívia Barroso, Lucas Santiago, Luiza Sayão, Maria Clara, Marina Carlos e Rodrigo Barros são os expositores deste ano de 2011, o ano em que uma mulher assumiu a presidência da República, o ano em que eles despontam para fugir da razão e mostrar que a emoção e o sonho são, também, sinais positivos de vida. Cito dois exemplos para vocês.
Neste mesmo ano e mês de outubro de 2011 morreu João Ariston Pessoa, curumim de Cascavel, a mesma terra adusta de outro curumim de ouro, Edson Queiroz, no interior cearense. Ariston tornou-se visionário e subia aos céus, adentrando nimbos e stratus, de todos os matizes, para ter terra no chão que tentaram lhe tirar, sem êxito. Foi-se, deixando uma diferente e insuspeita TAF, Tarefa Ariston Feita. Descanse em paz. Um exemplo para curumins.
Outro a morrer, Steve Jobs, filho de pai iraniano e mãe americana que o entregaram para adoção. Sorte que um casal pobre – os pais adotivos – o tratou com carinho e ele fez-se gente, design revolucionário e mexeu com o modo de comunicação entre as pessoas em todo o mundo. Ele pode ter sido vaidoso, egoísta e megalomaníaco, mas fez a diferença neste início de século de terrorismo, guerras, corrupção e crises econômicas. Outro exemplo para curumins.
A vocês, curumins do Conservatório que mexem com solfejos, instrumentos musicais, escalas, diapasão, pincéis e tintas, as nossas boas vindas ao clube dos artistas. As pessoas têm, mesmo que não queiram, personas. O artista é a pessoa transmudada em persona.
Sejam todos bem-vindos, a arte os abençoa nesta exposição em que a liberdade de expressar sentimentos se faz presente. Que cresçam e usem as suas artes para o bem da humanidade ainda precisada de alimentar sonhos, além da comida na panela, saúde e trabalho.
Ser pequeno, em idade, não significa ser limitado em criatividade. Quem quiser ver os artistas, aproveite. Quem sabe se do meio deles não surgem alguns Aldemir, Bandeira, Sérvulo, Chico da Silva, Estrigas, Audifax, Nearco, Zenon, Descartes Gadelha, Sinhá, Nice, Sergei de Castro, J. Mendes, Jane Lane, Fernando França, Emília Porto, Ascal e Luciana Falcão, entre outros.
Parabéns a todos e, especialmente, a seus pais que os encaminharam, em meio ao bulício da areia movediça do mundo atual, para o sagrado e inesgotável caminho e pastoreio das artes.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 14/10/2011

