Deveria ter escrito custo da energia, mas luz chama mais a sua atenção. Praticamente todos os brasileiros(99%) são usuários de energia elétrica, uma das mais caras do mundo, saiba você. Ela é cara, não apenas pelas privatizações, mas pela sanha dos impostos e os lucros das distribuidoras, inclusive nos serviços adicionais. Existe uma agência reguladora do assunto, a Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel. Agora, a Aneel trata de definir regras para o que chamou de 3º. Ciclo de revisão tarifária.
Há, no Brasil, 63 distribuidoras de energia, todas muito bem, obrigado. Quando houve a privatização/concessão estabeleceu-se que existiria revisão. Até agora, nada de positivo foi feito em favor dos consumidores de energia: todo o povo brasileiro e todas as empresas. O que pouca gente atenta é a quantidade de impostos que se paga na conta de energia. 45% do total vai direto para o Governo, em tributos e encargos. Deixando claro: se a sua conta é de 100 reais, 45 vão para os cofres públicos. Neste ano, até outubro, o governo havia arrecadado 54 bilhões de reais só da luz.
Ano passado, 2010, as despesas dos brasileiros com energia chegaram a 118 bilhões de reais. Sei que número não é bem agradável para o dia de domingo, mas todos devem saber o que pagam e porque pagam. Ninguém defende o consumidor brasileiro. Há uma Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres –Abrace, mas pouco se sabe de êxito em seus propósitos públicos. O que se vê é a exorbitância cobrada pela energia. Nos horários de pico, quando mais se precisa dela, é um saque.
Não há uma frente de deputados e senadores para atenuar a tributação e os encargos da conta de energia. Além da energia de sua casa, você ainda paga a iluminação pública que deveria ser coberta pelo IPTU. No Brasil, sabe-se, imposto não baixa. Abrange tudo o que você faz. Lembre-se disso ao acender o cigarro, pegar o transporte coletivo, ligar o carro, fizer refeições, tomar uma bebida ou abrir a televisão. O brasileiro deveria se preocupar mais com o que paga de impostos, encargos e taxas. Antes que seja tarde, apague a luz.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 13/11/2011

