BODES E ATAS – Diário do Nordeste

Estive no Clube do Bode para saudar a 500ª. ata de sua vida livre, pública, publicizada, mutante, etílica,esfuziante, crescente, minguante, intelectual, verborrágica, crítica e de passos registrados pelo vigilante escrivão-mor Audifax Rios, o nosso Pero Vaz. Os cadernos de capa dura são fornecidos pelo pai de chiqueiro-mor, Sergio Braga, o bom livreiro com a infeliz carreira secundária de político e guardião de seus amigos.
De princípio, éramos poucos. Destaco, sem preocupação memorialista, as figuras de Barros Pinho, Carlos Augusto, Juarez, Teles, Augusto, Iranildo, Ubiratan, Pardal, Mônica, Giordane, Cláudio, Lustosa, Lúcio, Passeata, Falcão, Ruy, Erle, Airton, Narcélio, Pedro, Saraiva, Siquerinha e outros que, infelizmente, esqueço. Alguns já ocupam a terra do sempre. Outros, idealizaram-se. Éramos circunscritos à sala pequena, disputada, bem servida e democrática do Sérgio. Ela fica no final do grande corredor que é a Livro Técnico. Atulhada de livros, fotos e lambanças de todos nós. Lá, ele reina, atrás da escrivaninha e do computador aberto, na sua forma pacífica de pessoa grande e acolhedora.
Lá se fala de tudo e de todos, discute-se em linha doida. Novos/velhos candidatos a intelectuais com imprevisíveis produções distribuem convites para lançamentos. Anexo, pequeno banheiro, visitado por algumas próstatas cansadas ou a nascente do rio lastreado por lúpulo, malte, cevada e fermento. Se alguém sair antes do fim para outras (des)aventuras nas noites de sextas e vesperais de sábados, fica certo que seu nome será discutido, esmiuçado e que tais. Depois, a calçada.
Ata após ata, muitos se achegaram, até grafando nomes, orelhando conversas acreditando incorporarar a filosofia bodeana. Ledo equívoco. Meros passantes em busca da fama que não temos numa já quase decenária entidade sem lei ou ordem, consumidora de pães e mais material que espiritual. Agora, os veros bodes reafirmam a missão de exigir que Sergio comande e o Audifax perpetue em atas com palavras, desenhos e relevos o novo desígnio: não ter meta.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 20/11/2011

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