O ano de 2011 estará terminando na próxima semana. Os anos ou os tempos acontecem, simplesmente, não só para o planeta Terra, esse que dividimos com sete bilhões de pessoas, mas em todo o universo ainda em processo de descoberta pelos cientistas com minguadas verbas. Até a Nasa está pifando. E este ano não foi um ano bom para a ciência, pois faltou dinheiro para os governos de quase todos os continentes. Todo ano tem tragédias, mortes, terremotos, posses e derrubadas de governo. É o ávido fadário.
Dilma entra na história como a primeira mulher a assumir a presidência do Brasil. O Estado do Rio perde quase 1.000 pessoas em enchentes nas serras fluminenses, repetindo o que acontecera no ano de 2010. Promessas, verbas, mortos e poucas prisões. Hosni Muburak cai do Governo do Egito e começa a “Primavera Árabe” derrubando outros ditadores do médio-oriente. O Japão sofre um “tsunami” arrastando 10.000 pessoas para o além e vê parte de sua costa totalmente destruída. O ano não terminou e quase tudo já está reconstruído.
Descobriu-se, afinal, que Osama Bin Laden não estava escondido na confluência do Brasil, Paraguai e Argentina onde reina em cascatas a Cachoeira do Iguaçu. Osama morreu no Paquistão, dentro de sua casa que pretendia ser um “bunker”. Não era. Morreu desvalido e seu corpo desapareceu em meio a mar proceloso, não o de Castro Alves. Aguardemos livros sobre o “local que eu descobri”. Em uma Europa com economia gripada o Príncipe William casa com a jovem Kate para o deleite do jornalismo oco e das revistas para desocupados. A cantora Amy Winehouse, uma casa de vinhos ambulante, morre aos 27 por excesso nos costumeiros excessos.
Barak Obama e Michele vem ao Brasil e nada dizem de concreto. Vão a palácios em Brasília, ficam na orla do Rio e visitam o Pão de Açúcar à noite e que tais. O mesmo do mesmo. Hugo Chavéz briga com um câncer em Cuba. Silvio Berlusconi, o coroa que paga para dizerem que é o rei das moçoilas, estrebucha e perde o poder na Itália. Fica com a mídia, a dinheirama, o futebol e grava um disco com canções de amor. Steve Jobs, o design maior da informática, de jeans e camiseta preta, perde a luta contra o câncer e faz logoff aos 57. Todas as tribos se reúnem em Wall Street, inclusive a Maria Luiza Fontenele, e assestam seus estilingues contra as vidraças blindadas de banqueiros desalmados. O nosso Supremo Tribunal Federal aprova a união estável entre pessoas do mesmo sexo sem saber que estará aumentando o número de questões nas varas de família nos próximos anos. Aguardem.
Lula é acometido de câncer na garganta, revela o mal de forma pública e termina o ano com 75% no Ibope da regressão do tumor. Dilma, a presidenta esquentada, revela-se durona e manda sete ministros trapalhões para o vazio que é o eixão do Plano Piloto. O escândalo do “Mensalão” ainda dormita e talvez não acorde. O povo da Rússia parece zangado com o Puttin. A Coréia do Norte perde o seu ditador, Kim Jong-il, que é mostrado em transparente esquife de vidro para o herdeiro do trono, o Kim Júnior. Os soldados americanos deixam o Iraque por falta de grana.
Para falar de flores e espinhos, o filme “O Discurso do Rei” ganha o “Oscar”, o Santos endeusa Neymar e se perde na “Ola” de quatro do Barcelona. Somos melhores em quê? Talvez do “crack”. Roberto Carlos choraminga na Globo, Sílvio Santos está renovado e o Brasil parece acreditar que a crise do mundo vai passar ao largo do equador. Aeronautas prometem atrapalhar o fim-de-ano e o Papai Noel, infelizmente, anda mais em moda que o menino da Galiléia. Uma pena. Não gaste o seu 13º. com o que não precisa e não pose para o ano novo. Vá com temperança, medite ou ore e boa sorte. Felicidades.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 23/12/2011.

