Muito antes do século XX ir embora já existiam por este país centenas de cursos, faculdades e universidades particulares. Já faz parte do passado dizer, como referência, que fulano estudou na tal universidade, certamente pública. Já há algum tempo, a educação tomou rumo diferente do pretendido pela geração de Celso Furtado, Darcy Ribeiro e Paulo Freire. Hoje, as escolas, vamos dizer assim, estão lutando para entender as mudanças acontecidas no mundo, a intromissão bem-vinda da Internet, o exigente mercado de trabalho, o crescente desenvolvimento científico e tecnológico e da nova comunicação. O antigo professor, dos métodos discursivo/peripatético, pode ser considerado avis-rara. O que se pede no ensino de hoje é foco, colaboração, discussão em grupo, muita leitura, aprender a desenvolver raciocínios abstratos e, em contrapartida, a análise dos fatos. Seriam, quem sabe, as tais experiências essenciais que faltavam aos formados nos anos “enta” do século passado. Os que então saiam da universidade não estavam prontos, precisavam de estágios, mestrados, treinamento e isso mexia com suas autoestimas. O cobrado na vida real de hoje é a competência. Competência para passar em concurso público, conseguir emprego privado ou montar o próprio meio de viver. E essa competência só é atingida se cada pessoa souber ser a senhora do seu destino. Humildade para aprender e apreender o ensinado pelos professores, a fala do povo, o visto na televisão, os livros lidos e o facilmente pesquisado na Internet. Ideias surgem, consolidam-se em projetos e, às vezes, transformam-se em oportunidades de trabalho, mas só para os cooperadores do tempo e das circunstâncias, não desperdiçando habilidades cultivadas na família, salas de aula, bibliotecas, grupos de estudo, relações sociais e na fácil, mas intricada, teia de informações como, por exemplo, o Google. Na verdade, cada pessoa deseja dar sentido à sua vida e ser bom profissional. Isso implica em ter motivação, saúde emocional, senso ético, boas companhias, explanar ou refutar argumentos, enfim ter conteúdo naquilo que teoriza ou pratica. Paixão e garra, ajudam muito.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 14/02/2010

