PÁSCOA OU FERIADÃO “SANTO”? – Jornal o Estado

Os judeus acabaram de comemorar a sua páscoa (Pessach), a festa em que celebram a libertação do jugo do Egito, de onde fugiram para o chão hoje chamado de Israel. Segundo a História, eles, os judeus, foram os algozes de um seu patrício, Jesus, filho de José, um dissidente político ou da fé que professavam. Agora, nesta semana, somos nós os cristãos ocidentais, que temos a Semana Santa que ficou reduzida, para muitos, a um grande feriadão que começa na quinta e vai até domingo. Para os que realmente creem e professam a fé cristã, especialmente os da Igreja Católica, a de Roma, esta semana seria mais que isso. Ela se prenderia a um ritual litúrgico em que é contada, vivificada e celebrada a paixão de Jesus Cristo, isto é, o seu julgamento sumário pelos judeus, os passos que o levaram até o monte do Gólgota, onde foi crucificado ao lado de outros dois réus. A cruz ou a viga transversa em que foi pregado ou amarrado fazia parte do processo macabro pelo qual os condenados deveriam passar, antes da morte, por atos de vergonha e tortura, expiando, por flagelação, as faltas cometidas e não perdoadas pelo Sinédrio. O Sinédrio era um conselho ou assembleia formada por julgadores ou juízes com a capacidade de decidir, em conjunto, os problemas gerais das cidades. No caso de Jesus, reza a tradição, ter sido submetido, em Jerusalém, a julgamento por professar uma fé diferente da estabelecida pelas leis judaicas. Assim, Jesus seria, repito, um revolucionário, visionário ou dissidente e, por tal razão, condenado. Admitindo-se tal fato, após a humilhação, flagelo e crucificação, vinha a morte. Jesus morre, então. É preciso lembrar ter sido Jesus um bom amigo de José de Arimatéia, importante figura da cidade e em casa de quem ficou hospedado algumas vezes. Na tarde da sexta-feira, José de Arimateia foi até Pôncio Pilatos, a autoridade romana da cidade, exercer o direito, comum à época, de tomar para si a responsabilidade do sepultamento de Jesus. Pilatos assinou a autorização, José de Arimateia apresentou-a ao Centurião, retirou o corpo, ungiu-o com ataduras saturadas de mirra e babosa, cobriu-o com um lençol de linho e o colocou sobre uma pedra, no interior do novo sepulcro da família. Hoje, o dito Santo Sepulcro, é um local de visitação diária permanente, ambiente denso, mas tocante. Estive lá e constatei. Depois de amanhã, domingo de páscoa, segundo narra a Igreja em seus evangelhos, Jesus acorda para a vida eterna. É a ressurreição. O historiador evangélico John A. Broadus, sobre o fato, diz: “Se não sabemos que Jesus ressuscitou da morte, não sabemos nada da História.” Assim, independente de suas (des)crenças, procurem saber mais, a fim de que possam, se for o caso, encontrar respostas para a sua fé e vida. Consta que São Paulo, o apóstolo, teria dito algo como: a fé é a substância de coisas esperadas, e o argumento de coisas que não se veem.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02/04/2010

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