A GAIA DE TODOS NÓS – Jornal O Estado

Como há dia para tudo, convencionou-se: amanhã, 05 de junho, é o dia do meio ambiente. Estendeu-se um pouco mais e surgiu a semana do meio ambiente. E as outras 51 semanas do ano? O problema é saber o real significado de meio ambiente. Você sabe? Será, por acaso, tudo o existente na Terra, menos os animais, entre eles, o bicho homem, o mais predador? Estarei errado ou certo? O universo, seja fruto de um big-bang (grande explosão) ou da criação por uma divindade superior recebeu, por todo o sempre, o reino animal para ocupar a sua esplendorosa natureza. Essa convivência tem causado estrago. Como não sou ambientalista, etnólogo, geólogo, paleontólogo, geógrafo, agrônomo etc. cuido de ir tentando fazer, do meu jeito, a parte que me cabe neste latifúndio. Economizo água, não deixo luz acesa em ambiente sem pessoa, planto árvores, não jogo nada fora pela janela do carro, faço campanhas educacionais de reciclagens de tudo, converso com jovens, escrevo e faço passar vídeo em cinemas, sistematicamente, sobre a relação ser humano e meio ambiente. Entendo, entretanto, que a ação não deve ser só de pessoas, mas de instituições, empresas e especialmente do Município, Estado e Nação. Está lá na Constituição Federal: “todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. A coletividade somos nós. Estaremos todos realmente comprometidos ou há um jogo de faz de conta por muitos? Não é careta reclamar de sugismundos, públicos e privados. Dos lançadores pelas janelas de veículos e transportes coletivos, de pontas de cigarros, garrafas plásticas, papéis e latinhas de bebidas. É preciso demonstrar o nosso desapreço por tais atitudes transformadas em hábitos desprezíveis. Nada de defensor da humanidade, apenas pedir urbanidade. Não é bobagem, É necessidade de sobrevivência para todos com os nossos veículos, produtores diários de monóxidos de carbono. Geramos, cada um, quase um quilo de resíduos sólidos mal acondicionados, sem preocupação de separação dos materiais recicláveis. Finalmente, lembre-se, todo dia é dia de plantar árvore, não sujar, educar crianças para, inclusive, repreenderem os pais por seus maus costumes. Não basta fazer a sua parte. É preciso dar, por exemplo, uma de Pio Rodrigues e Honório Pinheiro e sair plantando milhares de árvores pela cidade. É preciso um pouco de loucura nessa luta desigual para combater este sol tropical com a sombra de árvores, sejam frutíferas ou não. Uma rua arborizada não é só responsabilidade da prefeitura, mas de seus moradores, sejam pobres, remediados ou ricos. Todos estamos nesta nau insensata da quase destruição da natureza. Sem essa de achar isso idiotice. Idiotice é sujar a casa maior, a Gaia, a deusa helênica da Terra de todos nós.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 04/06/2010

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