MAKING OFF – Diário do Nordeste

Semana passada, lancei meu sexto livro, Gente que Conta. Quero dividir com você a luta que se tem para escrever e, mais ainda, lançar um livro. Neste último, para fugir das crônicas e contos, enveredei por duro caminho, o da entrevista histórica e aí começou o fado. Demorei sete anos para concluir o livro com 16 nomes expressivos. No último mês, defini data para o lançamento: 19 de agosto, quinta-feira, noite tradicional para eventos culturais. A Oboé já estava comprometida. Ousei, então. Marquei o dia 20, sexta-feira à noite que não costuma ser usada para tal fim. Fiquei temeroso. Os convites não saíam. Só dez dias antes ficaram prontos. Não mais existe lista telefônica de endereços/pessoas. Amigos mudam de casas e de telefones. Zorra. Contratei empresa de entregas e os enviei, nominalmente, com palavras curtas e assinatura.
Estresse aumentando, endereços errados ou antigos. Enquanto isso, o livro, o dito cujo, não ficava pronto. Mudei seis vezes o formato da capa, catalogação, e decidi não revisar o miolo, o texto. E o dia, chegando. Só na quarta, 18, recebi o livro pronto. Estava bonito, no olhar de pai coruja. Os nomes dos entrevistados em ordem alfabética, capa dura, cor telha. Agora faltava o evento: comprar vinhos. Escolhi duas uvas, Cabernet Sauvignon, a minha, e Merlot, a da maioria. Preparei painel grande com fotos dos entrevistados, com quem falava ou com suas famílias. Havia receios pelo contato público, deslocamento, idade, saúde etc. Conto só um caso: ligo para Elano Paula – chegaria na quinta – sobre a saúde do seu irmão Chico Anysio, retornado ao hospital. Ouvi tudo e o liberei: fique no Rio, o Chico precisa de você.
O dia 20 chegou pleno de outras lutas, afazeres. Em casa, cinco da tarde. Escrevi a fala. Na hora de imprimir, o cartucho rateou. Ri: vou de improviso. Lembrei: os convidados precisam de segurança. Providenciei. Vesti-me, trânsito louco. Esbaforido, cheguei às sete. Logo, um amigo me pega pelo braço: “autografe aqui”. Fila, para quê? E assim foi. Por horas. Este é o “making off” do livro e do lançamento. Obrigado a cada um dos muitos amigos que lá estiveram.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/08/2010

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