Não sei a que horas você lerá esta parte do jornal. Espero que seja antes de votar. Não sei sua idade, sexo, cor, religião, ideologia e profissão. Sei que pode ser eleitor (a). Hoje, neste 3 de outubro de 2010, você terá alguns minutos para votar. Vai eleger dois deputados, estadual (10 candidatos para 1 vaga) e federal (13 para 1). Dois senadores, governador e presidente da República. Não brinque com seu voto. Não faça dele uma piada de mau gosto, não se enfureça diante da realidade, nem desacredite na raça humana. Pense.
Exercite sua vontade, aquela da qual está convencido. O voto, já se disse à exaustão, tem efeito. Saiba, hoje, o que acontecerá depois. Não se dê por vencido, faça o seu Ficha Limpa pessoal, veja quais candidatos já foram condenados. Os que mudaram de bairro, casa, costumes, montaram negócios do nada e apareceram em outros mundos, sem descobrir-se o milagre. O milagre é que não há milagre. A escolha é sempre entre a realidade e a ilusão.
Você, na hora que entrar na seção eleitoral e se ver diante da urna eletrônica, mesmo que não queira, estará ligado ao futuro e não ao passado, seja de mágoas, desenganos e fantasias. Estabeleça um elo de conexão com sua terra, seu país. Você não tem obrigação de votar só por votar. Renda-se ao seu próprio julgamento e acredite, por instantes, que é senhor de parte do destino do país. Um aperto de mão, olhar distante ou fixo, jeito de dizer o improviso e raiva contida, podem definir uma pessoa. A vida real não tem ensaios, nada é como a televisão com maquiagem, cortes, iluminação, diretor de arte e a edição final. Olhe as imagens, mas não esqueça do que acontece ao seu redor.
Há uma velha estória que vale a pena contar: uma família queria saber o futuro de um jovem ainda imberbe. Deram-lhe uma maçã, um livro de orações e um valor em dinheiro. Esperaram a sua reação. O jovem comeu a maçã, leu o livro e colocou o dinheiro no bolso. Viram, então, que ele havia escolhido sua profissão: seria político. Brincadeiras à parte, não responsabilize os outros pelo que você faz. O seu voto vai definir o modo como a vida vai girar. Não faça roleta russa. Vote certo. Vote no Brasil.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 03/10/2010.

