ELIMINAÇÃO DA POBREZA – Diário do Nordeste

Semana passada recebi convite de uma revista para fazer uma pergunta ao governador eleito, Cid Gomes. Não sei se a minha pergunta será considerada, mas a que me veio à cabeça na hora foi a seguinte: o senhor acredita na eliminação ou erradicação da pobreza até o ano 2020? No Brasil, pobre é alguém que tem renda per capita até 140 reais. Indigentes são os que têm renda de até 70 reais. Na verdade, o número ideal seria o do salário mínimo. Mínimo quer dizer pequeníssimo ou ínfimo. O Nordeste ainda possui 13,5 milhões de indigentes e 17,6 milhões de pobres. Estes dados são do Censo de 2.000, mas atualizados pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios. Em estudo recente da Fundação Getúlio Vargas/CPS/FSP determinou-se um custo médio per capita para eliminar a pobreza, por mês, de R$ 9,33. No Ceará, o custo foi R$ 16,16. Verificou-se quanto cada área influi no aumento do rendimento individual e familiar. A resposta veio do trabalho: 71%. Os programas sociais/bolsa família respondem por 5,3% e a previdência social com 24%. O trabalho é a alavanca que deve dignificar a vida da pessoa. O que fica claro é que é preciso aumentar o número de oportunidades de trabalho, seja para o autônomo, o vinculado a cooperativas e a empresas. Há queixas recorrentes sobre os custos sociais de cada empregado e a morbidade crescente de micro, pequenas e médias empresas que, por não terem condições de pagar as obrigações sociais e os impostos diretos e indiretos, encerram suas atividades. É cena comum, nas médias e grandes cidades brasileiras, o movimento noturno de artesãos, vendedores, ambulantes, distribuidores e afins que se acercam dos pontos que, já na madrugada, são visitados por compradores que abastecem seus pontos comerciais com essas mercadorias feitas de forma artesanal ou, quando muito, com algum viés industrial. Essas aglomerações urbanas se fincam, criam raízes e aumentam a economia informal que não tem, por mais que deseje, condições de se estruturar até como microempresários. A transferência de renda dos programas sociais é um caminho, mas não a saída para a verdadeira inclusão social.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 21/11/2010

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