FÉRIAS E VIAGEM – Jornal O Estado

Agora que as férias estão chegando, todos se aprestam para viajar. Dizia o grande Montaigne, escritor francês do século 18, que “as viagens dão uma grande abertura à mente: saímos do círculo de preconceitos do próprio lugar (ou país) e não nos sentimos dispostos a assumir aqueles dos estrangeiros”. Viajar é sair do usual, do previsível. Viajar a turismo é fazê-lo em busca do prazer e do conhecimento. O ser humano é um feixe de nervos que, de vez em quando, precisa de um tempo de relaxamento, de descontração, para torná-lo apto a novas obrigações. Qualquer viagem dá oportunidades múltiplas a pessoas que, revisitando ou conhecendo cidades ou países, poderão emitir sensações e emoções diferentes, a partir de seus valores pessoais.
A viagem, seja qual for o destino, é sempre uma nova porta que se abre ao nosso conhecimento. É tempo para nossas prioridades ou, simplesmente, para observar, descansar e curtir. Algumas pessoas têm, por incrível que pareça, medo de viajar sozinhas. Alegam desconhecimento de outra língua além do vernáculo, a insegurança em aeroportos para fazer conexões ou a trabalheira com malas, câmbio de moedas e registro em hotéis. Para essas pessoas a melhor solução é viajar em grupo. A primeira recomendação para quem faz turismo é a descontração. Nada de levar muita roupa, de pensar em ficar elegante. Deixe isso para a volta. Viaje sem medo de ser simples. Leia, antes, sobre os lugares que vai conhecer em revistas, livros e na Internet. Anote o que lhe for interessar. Amanheça o dia rindo para o espelho e não se preocupe se falar errado, não compreender o cardápio ou em gostar do que pode parecer ridículo para os outros. Uma maneira eficaz de ser um bom turista é não comparar compras, não reclamar porque comprou caro ou deixou de comprar (onde foi que você comprou isso? barato?). Deixa pra lá. Nada de ficar curtindo o apartamento ou se esparramar no hall do hotel. Ande, marque pontos de referência para ir e voltar ou use um GPS, se você for bem moderno. Os metrôs têm mapas em todas as estações e há sempre uma alma caridosa, principalmente pessoa em idade de aposentadoria, disposta a ajudar. Descubra o que está acontecendo na cidade e peça ao guia, se tiver um, ou ao pessoal do hotel para lhe indicar shows, shoppings, restaurantes, eventos gratuitos, museus etc. As cidades, nos pontos turístico, e as empresas de viagens têm folhetos gratuitos com as atrações. Não faça nada só para agradar aos outros. Seja boa companhia ou faça o seu próprio roteiro. Defina o que lhe é proveitoso. Tente descobrir por seus próprios pés, um lugar que lhe interesse, seja um barzinho, um museu ou loja com uma liquidação. Você não será nunca mais a mesma pessoa depois de uma viagem, curta que seja. Você será mais rico, mais consciente do mundo e poderá estabelecer juízos de valor. E curta, pois a vida é breve. Estes são apenas alinhavos, referências básicas, que ajustados a cada situação, poderão, quem sabe, até servir para orientar os que acreditam que os limites do mundo passam muito além das suas portas.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10/12/2010.

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