ROBINHO E OUTROS – Jornal O Estado

A revista Veja, edição de 04 de fevereiro de 2009, trouxe uma longa reportagem sobre o comportamento de atletas que, nascidos pobres, alcançam sucesso e fortuna no começo da sua vintena de anos. A partir daí, suas cabeças entram em parafuso e começam a aprontar. Não são só os que alcançam sucesso e fortuna que se metem em enrascadas. Todos os dias, em emissoras de rádios e de televisão do Brasil, são inúmeros os programas policiais que contam casos de estupros, brigas em festas, mortes de cônjuges, assaltos, sequestros, assassinatos, roubos etc. O que há, no caso dos atletas, é a sua superexposição à mídia e a voracidade de certa imprensa e de pessoas ávidas por fama, dinheiro e sensacionalismo. Os mostrados em programas policiais são os delinquentes ou são pessoas do povo, todos tratados sem muito escrúpulo para um público cativo, sequioso por desgraças, escândalos e lágrimas. Vale lembrar ainda que há muitos cantores, atletas e artistas brasileiros que têm filhos pelo Brasil e mundo afora. Após os shows e jogos, caíam na gandaia e transavam com as fãs. Não havia ainda a preocupação com preservativos, pois a Aids não existia. Tampouco se falava de exame de DNA. Posteriormente, foram aparecendo filhos não desejados, frutos de relações ocasionais e, em alguns casos, de mútuas inexperiências ou irresponsabilidades dos envolvidos. As mulheres, sempre tratadas como vítimas, apareciam chorosas em programas de televisão e rádio, mostrando os filhos nascidos e o descaso do “pai desnaturado”. Não faltavam – e não faltam – advogados para defendê-las e, passado o tempo, surge o DNA, para configurar ou não a paternidade. Não há como defender pessoas que, no seu juízo perfeito ou mesmo em baladas, se envolvem com mulheres que não conhecem bem e por quem não têm nada, além da circunstancial atração física. Entretanto, não se pode demonizar essas pessoas que apenas se imaginavam desejadas e não conjeturavam a armadilha da gravidez. Voltando ao começo, é preciso que a mídia, seja brasileira ou estrangeira, acabe com o sensacionalismo barato que envolve celebridades ou não. Quem sabe se o tempo utilizado nesses programas ou reportagens poderia ser mais bem aproveitado com outros temas?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13/02/2009.

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