GLÓRIA EFÊMERA – Diário do Nordeste

Foi Andy Warhol, americano filho de eslovacos, nascido em 1928, e que se destacou na Pop Art ou arte popular usando a linguagem da publicidade e métodos de serigrafia para fazer suas obras, que incluiam retratos de famosos e reproduções distorcidas da embalagem da sopa Campbell e da garrafa de Coca-Cola, quem disse a frase: “no futuro, qualquer um, será célebre por 15 minutos”. Esse mesmo Warhol foi famoso por pouco tempo, criticado em vida, até atentado sofreu, e morreu um dia após ser operado de uma mera vesícula biliar, exato na data de hoje, 22 de fevereiro, em 1987. Para comprovar que a glória dele era efêmera, basta ouvir o que disse, em 2007, Robert Hughes, crítico de arte da revista Time: “Warhol foi uma das pessoas mais chatas que já conheci, pois era do tipo que não tinha nada a dizer…Mas, no geral, não tenho dúvidas de que é a reputação mais ridiculamente superestimada do Século XX”. Essa lembrança, neste domingo de carnaval em que os que não estão na folia abrem este jornal e leem o que escrevemos, é apenas para dizer da óbvia convicção universal de que nada é mais passageiro que a glória, qualquer que seja ela. Dizia Honoré de Balzac, escritor francês, que “a glória é um veneno que se deve tomar em pequenas doses”. Certa vez, fui a uma feira de quinquilharias, dessas que ocupam grandes áreas de um estacionamento. Em determinada barraca encontrei dois diplomas: um de mestrado e outro de mérito de guerra. Tive a curiosidade de perguntar ao dono quem os tinha vendido para ele. Ele respondeu: “as famílias vendem tudo, não querem saber de glórias passadas”. Comprei um deles e o presenteei a um amigo, como atestado de que somos nada e ao nada voltaremos pela ausência de lembranças futuras de vitórias pessoais, salvo exceções. Quantos adolescentes, por exemplo, sabem quem foi e o que fez Juscelino? Quantos universitários, que não cursam história, sabem onde nasceu e quem foi Capistrano de Abreu? Quem lembra do que fez Thomas Edison? Assim, nestes dias de não fazer nada, lembre-se disso e não esqueça de fazer o que lhe cabe, sem esperar por glória. A não ser que Glória seja alguém que lhe diga respeito.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 22/02/2009.

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