PAIXÃO, RESSURREIÇÃO E MORTE – Jornal O Estado

Neste corre-corre de todos nós, a Semana Santa ficou reduzida, para muitos, a um grande feriadão que começa na quinta e vai até o domingo. Para os que creem e professam a fé cristã, especialmente os da Igreja Católica, a de Roma, esta semana é mais que isso. Ela se prende a um ritual litúrgico em que é contada, vivificada e celebrada a paixão de Jesus Cristo, isto é, o seu julgamento sumário pelos judeus, os passos que o levaram até o monte do Gólgota, onde foi crucificado ao lado de outros dois condenados. A cruz ou a viga transversa em que foi pregado ou amarrado fazia parte do processo macabro pelo qual os condenados deveriam passar, antes da morte, por atos de vergonha e tortura, expiando, por flagelação, as faltas cometidas e não perdoadas pelo Sinédrio. O Sinédrio era um conselho ou assembleia formada por julgadores ou juízes a decidir, em conjunto, os problemas das cidades. No caso de Jesus, reza a tradição ter sido submetido, em Jerusalém, a julgamento por professar uma fé diferente da estabelecida pelas leis judaicas. Assim, Jesus seria um revolucionário, visionário ou dissidente e, por tal razão, condenado. Admitindo-se tal fato, após a humilhação, flagelo e crucificação, vinha a morte. Jesus morre, então. É preciso lembrar ter sido Jesus amigo de José de Arimatéia, importante figura da cidade e em casa de quem ficou hospedado algumas vezes. Na tarde da sexta-feira, José de Arimatéia foi até Pôncio Pilatos, a autoridade romana da cidade, exercer o direito, comum à época, de tomar para si a responsabilidade do sepultamento de Jesus. Pilatos assinou a autorização, José de Arimatéia apresentou-a ao Centurião, retirou o corpo, ungiu-o com ataduras saturadas de mirra e babosa, cobriu-o com lençol de linho e o colocou sobre uma pedra, no interior do novo sepulcro de sua família. Hoje, o dito Santo Sepulcro é um local de visitação permanente, ambiente denso, mas tocante. Estive lá. No domingo, segundo narra a Igreja, Jesus acorda para a vida eterna. É a ressurreição. O historiador evangélico John A. Broadus, sobre o fato, diz: “Se não sabemos que Jesus ressuscitou da morte, não sabemos nada da História.” Assim, independente de suas (des)crenças, procurem ler mais, a fim de que possam, se for o caso, buscar na História respostas para a sua fé e vida.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10/04/2009.

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