Sexta, 22, foi o dia da biodiversidade, aproveito então para dizer o óbvio. Nós todos somos o planeta Terra. Todos sabem – ou deveriam saber – sobre a diversidade biológica, isto é, a heterogeneidade da natureza viva. Sabem, mas não cuidam. Tenho esperanças de mudanças em nossos comportamentos pessoais, os péssimos costumes advindos da origem rural de parte da população urbana. Não respeitamos a fauna, tampouco a flora e somos predadores do ecossistema de nossas cidades. “Jogar no mato” transformou-se em jogar em qualquer lugar. A rua é a lixeira gerada pela falta de educação. Agora mesmo estamos vivendo uma crise decorrente de um bom inverno – sempre pedido – que chegou e encontrou esgotos entupidos, rios, lagoas, riachos, córregos com margens ocupadas por famílias carentes em permanente situação de risco e uma malha viária mal asfaltada sem calhas de escoamento por gravidade ou por drenagem. As cidades viram caos, acontecem enchentes não só por culpa da pluviometria, mas por despreparo coletivo e falta de ação preventiva dos seus gestores públicos. Escolas, colégios, universidades, repartições, sindicatos, igrejas, clubes e afins precisam formar grupos de pessoas e começar um processo profundo de educação ambiental para crianças, jovens e adultos. Não basta enviar donativos e entregá-los a gestores acostumados a clamar. É preciso tornar permanente o cuidado emergencial e incutir nas mentes das pessoas a necessária relação entre nós e o meio ambiente. Não sou ambientalista, nada de eco chato. Sou apenas alguém que já viu esse filme se repetir e sabe que a saída é a educação a gerar respeito pelo outro e pela terra que nos abriga e alimenta. A ênfase é produto da indignação com a indiferença a começar na família descuidando dos restos ou resíduos gerados a cada dia. Há ainda pessoas tidas como de nível a jogar pontas de cigarro, latas ou garrafas plásticas pelas janelas de seus carros. Há também quem não possa ver um terreno não edificado e lá despeja sobras de construções ou reformas. Um dia, o inverno chega e a água precisa, além de banhar a terra, seguir o seu curso. Como, se tudo está entupido com as nossas sujeiras?
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 24/05/2009

