Fique claro ser hoje o namoro aberto a todas as idades, sem essa de ser privilégio de adolescentes. Nada contra os jovens. Muito a favor dos namorantes, independente do registro civil. Para sair da mesmice, resolvi entrevistar algumas pessoas, entre 20 e 60 anos, de ambos os sexos, todas com boa escolaridade, a maioria com nível superior. A todas, entreguei uma caneta e um pedaço de papel – desses blocos de notas – e pedi que respondessem, na hora, colocando idade, profissão e pseudônimo, a seguinte pergunta: O que é namorar. Aguardei as respostas. Foram entregues, rápido. Mudei os pseudônimos para números. Vamos primeiro às respostas dos homens. Começo pelo mais velho, a quem chamarei de Um: empresário, casado, 53: “é viver momentos felizes”. Dois, engenheiro, casado, 31, refere: “é estar feliz todos os momentos”. Três, economista, casado, 30: “é compartilhar momentos, alegria, momentos tristes… é poder usufruir da companhia com cumplicidade”. Quatro, solteiro, economista, 24: “aproveitar o que há de melhor na vida ao lado de quem amamos. Como se trata de um verbo deve ser uma ação de amar, então é a ação do amor. Logo, amamos namorar”. Agora, vêm as respostas das mulheres. Quinta, massoterapeuta, união estável, 53: “é conhecer, testar. É química”. Sexta, divorciada, 43, executiva: “é ver-se no centro. É sentir-se segura no carinho que dá e no que recebe. É sentir-se verdadeira, inteira e, portanto, completa. É sentir-se ingênua, pura e consequentemente feliz. Quase infantil.” Sétima, mãe solteira, 30, especialização em negócios:” é compartilhar todos os momentos como se fossem únicos.” Oitava, quase casada, 28, chefe de equipe: “é se entregar, se amar, ser feliz. É dividir momentos de felicidades e passar juntos momentos difíceis. É esperar uma grande surpresa, é sorrir sem cobrança, é viver pensando em dois, é viver sem limites para a satisfação de dois seres.” Agora, vamos ver o que dizem escritores. Para Balzac, francês: “talvez seja apenas o reconhecimento do prazer”. Marcial, latino: “contigo não posso viver, nem sem ti”. Lampedusa, italiano: “fogo e chamas por um ano, cinza por trinta”. Nietzche, alemão: “aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal”. Por fim, Oscar Wilde, britânico: “os homens querem ser o primeiro amor de uma mulher, as mulheres gostam de ser o último romance de um homem”. E você, o que conclui disso tudo?
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12/06/2009.

