Terça, 20 de julho, completa quarenta anos da subida da espaçonave americana Apollo 11 à Lua. Nesse tempo eu estava no Rio e as imagens da rede Globo mostravam, com certo atraso(delay) o que a televisão americana, enlouquecida, descrevia. Neil Armstrong e Edwin Aldrin manquejam nos grossos trajes espaciais na branca planície lunar. Deles, só víamos os rostos por trás das lentes dos capacetes. Era tarde da noite friorenta, a sala da televisão repleta de gente. Havia silêncio respeitoso. As expressões dos rostos, lembro bem, demonstravam espanto e admiração pelo feito, mas houve quem dissesse: isso é uma farsa. Até hoje, passados 40 anos, há livros, teses e audiovisuais que levantam a hipótese de uma encenação para quem, como o americano, seria acostumado a fazer cenários hollywoodianos, quase verdadeiros. Agora mesmo, acabei de ver um vídeo com o dístico “Top Secret”, supostamente do Departamento de Estado dos EUA, mostrando um civil, em trajes comuns, ao redor do passeio de Aldrin e Armstrong. A farsa, todavia, pode ser a edição da imagem verdadeira com superposição de outra pessoa. O fato é que a Guerra Fria entre os Estados Unidos e União Soviética provocava medo à humanidade e os soviéticos já tinham mandado Yuri Gagarin e um macaco ao espaço. Agora, naquele 20 de julho, seria o troco americano. Foi dado o alerta. Vieram os anos setenta e oitenta. A humanidade – com a física, a engenharia e a medicina- começou a usufruir das pesquisas espaciais, com o surgimento de novos materiais leves e resistentes para aeronaves, tecnologia de comunicação e drogas sintéticas que curam ou mitigam males. O fim da Guerra Fria, com a queda do Muro de Berlim, em 1989, a Europa teve o seu mapa mudado pelo desdobramento de países, inclusive os resultantes do desmanche da arquitetura política da União Soviética. Aconteceu, então, a desaceleração na corrida espacial. Descobriu-se o óbvio, o buraco é mais embaixo, é aqui mesmo, onde desmatamentos, fome, ideologias, guerrilhas, sede de poder, doenças, ditaduras e analfabetismo contaminam a terra. A lua, embora desvendada, voltou a ser dos poetas e enamorados com suas metáforas e enigmas.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 17/07/2009.

