Bibliófilos são seres estranhos no mundo pós-moderno. Apegam-se a capas e conteúdo de folhas amarelecidas pelo tempo e, pouco a pouco, se tornam cativos dos livros. Bibliófilos não são ruidosos. Por excelência, devem ser aquietados ao trilharem a ainda não bem entendida e definida tarefa de amar e cuidar de livros, especialmente os preciosos, antigos e raros. Mas o que é livro raro? Pergunta difícil. Nem todo livro antigo é raro. Tampouco, quando apenas só existe um exemplar dele. Ana Virgínia Pinheiro, no “Glossário de Codicologia e documentação” e em “Que é livro raro”, diz: “Antiguidade não é sinônimo de raridade, nem garante o mérito de um livro… A noção de raridade bibliográfica envolve tantos valores e circunstâncias que é necessário formalizar uma metodologia para organizar esse conhecimento. O primeiro passo está em por em confronto os conceitos de raro, único e precioso”. José Castello, em artigo publicado na revista Isto É, de 12 de novembro de 1997, fala sobre a relação entre leitores e livros. A primeira ideia é imaginar que poderemos ler mais do que é humanamente capaz. Depois, desejamos ter em mãos, cuidados e ordenados, as obras dos autores que apreciamos. Finalmente, surge o interesse pelas primeiras edições, ou seja, a iniciação à bibliofilia. Este artigo é dedicado a uma entidade da qual tenho o prazer de fazer parte, a Associação Brasileira de Bibliófilos, a mais antiga instituição do gênero do Brasil, que está comemorando, nesta data, os seus 25 anos de fundação e o ingresso de quatro novos sócios, Francisco Pinheiro, Hélio Leitão, Ingrid Schwamborn e Ubiratan Aguiar. Sejam bem-vindos. Seus nomes enriquecem o quadro social da Associação Brasileira de Bibliófilos, composta por membros curiosos, diletantes, cultos e ilustres e presidida por um dos mais atuantes bibliófilos do país, José Augusto Bezerra. Concluo. E o faço com frase do maior bibliófilo brasileiro, o empresário, acadêmico e apaixonado por livros, José Mindlin: “Num mundo em que o livro deixasse de existir, eu não gostaria de viver.”
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24/07/2009.

