Ana D`Aurea Chaves e Rita Cruz são minhas amigas desde o último terço do século passado. Nesse tempo, elas não eram muito próximas, mas já gostavam de viajar. São curiosas, inteligentes, sabem entrar e sair em qualquer espaço e têm a capacidade incomum de liderar. Ana D`Áurea casou cedo com Lauro Chaves, educou filhos, se fez funcionária de carreira do Banco do Brasil até se aposentar. Rita é formada em direito, optou por ser Defensora Pública, casou com Paulo Cruz, filhos foram criados e também se aposentou. As duas, com os maridos, faziam parte de um querido e instigante grupo de casais amigos. A vida vai passando, pregando peças e circunstâncias distanciam o que era próximo. Vai daí que elas, amigas que são, trocaram ideias e resolveram mostrar ao público a forma e os caminhos por onde andaram. Ana D’Aurea se profissionalizou como turismóloga de batente com a energia herdada de Evandro Ayres de Moura, um ser inquieto, visionário, mas objetivo. Rita resolveu, enfim, mostrar-se, com a inteligência herdada de Hildo Furtado Leite com o filtro da seleção natural. Isto posto, passaram a escrever, a quatro mãos, um livro sobre viagens. Não se contentaram – como muitos – em copiar e colar o que fotografaram, viram, leram em outros livros, folders ou, agora, nas buscas infinitas do Google. Escreveram muito, em dois volumes, com o poético nome de “Viagens além do olhar” e o fizeram de forma leve e primorosa, com o patrocínio de uma operadora de turismo e três empresas de agradecidos empresários, porque viajores. É claro que as viagens promovidas por Ana D’Áurea são seletivas. Quem sabe se o viés político-literário da Rita não tenha proporcionado o encaixe sensato a uma percepção próxima da realidade da sedenta classe média brasileira, louca por sair do Brasil com um livro-guia em português e um abastado nível de informações culturais, dicas e roteiros para a Europa, Ásia, África e América. E esse desconhecido leitor pode ter imantado a capacidade criativa da Ana D’Áurea, o gosto pela escrita da Rita e o concurso gráfico e estético de José Jesuíno da Costa. Essa trinca de azes gerou um duplo manual gostoso de ver, ler e levar para o além-mar.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 30/08/2009.

