Este artigo é um tributo a todos os administradores profissionais. E o faço em reconhecimento ao Conselho Regional de Administração, na pessoa do seu presidente, Reginaldo Oliveira, e ao Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, Domingos Aguiar, autores de proposta de uma Sessão Especial em comemoração ao Dia do Administrador. Nela, elegeram cinco nomes como representantes essenciais da classe dos administradores. Os eleitos: Carlos Gualter Lucena, gestor de grupo de empresas de prestação de serviços; Ernesto Sabóia, conselheiro-presidente do Tribunal de Contas dos Municípios; Beto Studart, controlador das muitas empresas que constituem o grupo BS; Sérgio Henrique Forte, superintendente de banco regional e a mim, o escrevinhador deste artigo. De surpresa, fui indicado para falar em nome de todos os homenageados. O fiz, na medida do improviso, louvando a cada um dos eleitos. Quanto à minha escolha, referi que ela se devia ao fato de ser integrante da Turma Pioneira da Escola de Administração do Ceará, a que deu origem a tudo o que veio depois. Estudamos ao tempo da divisão da ciência da administração em clássica e científica. A clássica era a do Fayol e a científica era a do Taylor. Hoje, nestes tempos informáticos e pós-moderno, em que as referências acadêmicas e de gestão são outras pela razão de que existem sistemas gerenciais para tudo, o que pode um administrador fazer? Ainda imagino que um administrador deve ter liderança. Ao mesmo tempo, precisa saber planejar, capacidade para dirigir pessoas, organização, assessoria, informações “up-to-date”, e gerir um orçamento a definir fontes e usos. Não pode deixar de ser criativo, mas não deve ficar só com o que aprendeu na faculdade ou nesses Mbas da vida. É bom saber línguas e ter conhecimento múltiplo. Isso é o residual a ficar depois de nos esquecemos de parte do que aprendemos. Para ser atual, deve ter um “core-business” e “target”. Os professores de administração adoram palavras em inglês. Core-business é o foco da empresa, do negócio ou da sua vida. Target é o seu objetivo, aquilo a que você se propõe a ser como pessoa, dirigente de empresa ou gestor público. O que sabemos vai abrindo a nossa cabeça para a vida. É bom andar pelo mundo afora e gostar de gente. No duro, no duro mesmo, aprendemos a administrar na marra, na pancada, acordando cedo, lendo, estudando caso a caso, dormindo tarde, dando exemplos. Mas, apesar disso, não há escola que nos ensine a identificar caloteiros, especialmente os bem vestidos, de fala mansa e enturmados. Assim, sempre é bom ter cuidado com pessoas que só dão importância às aparências e se encastelam em instituições sem legitimidade, usando artifícios e chicanas. Precisamos falar e agir do jeito que somos. Não se deve ter medo de errar, tampouco de dizer o que sentimos e sabemos. Cremos que o que vale mesmo é a nossa garra, a determinação e a capacidade de ficar à tona quando todos nos puxam para baixo. O mundo é um macro sistema em que perdura a incerteza. Os cenários são sempre de competitividade, daí precisarmos fazer o que sabemos com honestidade, qualidade e produtividade. Crie, sem medo, um manual de sobrevivência para você: saia de perto de gente desonesta, invejosa, fútil e desagradável. Respeite os seus valores essenciais. Arme-se de coragem, pois há dias em que o mundo parece que vai desabar. Desaba não, desde que as suas fundações, na linguagem da engenharia, tenham sido bem-feitas. Ou, na linguagem dos economistas, você tenha fundamentos, isto é, que seu aprendizado tenha sido de verdade e não pare de aprender com seus próprios erros. Pais morrem, dinheiro acaba, mas o conhecimento fica com você até à morte.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 11/09/2009.

