MARCO CÉSAR – Diário do Nordeste

Corriam os anos 70. Os da minha geração começavam a singrar os mares profissionais. Amigos, embora distintos, entravamos nos trinta: Antonio dos Santos, Artur Silva, Alfredo Couto, Giordano Loureiro, Gerardo Santos, Lauro Chaves, Marco Antônio, Marco César, Nisabro Fujita e Paulo Cruz. Antônio e Artur, deputados; Alfredo Couto advogava; Giordano e Gerardo, calculistas; Lauro Chaves, administrador; Nisabro, Paulo Cruz, Marco Antônio e Marco César, engenheiros civis. Todos casados. Filhos nascendo, estudando e crescendo. Vivíamos nas casas uns dos outros. E, particularmente, nos fins de semanas, na nossa casa na praia da desconhecida Tabuba. Falemos de Marco César, filho do general e ex-deputado federal Josias Ferreira Gomes. Foi engenheiro da Cenorte e, posteriormente, da Telebrás. Foi chamado para presidir a Coelce, a Companhia de Eletrificação do Ceará. Nela passou anos. Depois, compôs a diretoria da Teleceará. A roda do mundo gira e o que era público – com pouco dinheiro e fartos empréstimos do BNDES – passa a privado. Um dia, convidei Marco César para trabalhar comigo. Sabia ser difícil o processo de sua adaptação na vida empresarial. Os, sem padrinhos e conchavos, da empresa privada, somos catadores de conchas, pescadores de raras oportunidades, tratadores e vendedores de nossos peixes, miúdos, disputados em mercado sempre hostil. Assim, ele e eu tentamos, mas descobrimos que o serviço público estava entranhado no seu sangue, no valioso currículo e, especialmente, em seu espírito. Era homem para estratégias públicas e não mero engenheiro. Os anos passando. Marco César aposenta-se da Telebrás. Sabia-se capaz, mas a dinâmica política não tem memória. Foi então que ele, pouco a pouco, assumiu-se como quis. Senhor de seus atos, leitor e estudioso, ilustrado que era. Dava pouco espaço a intromissões no seu mundo onírico e particular. Nesta segunda, 28, manhã cedo, soube que a parca, na gris noite de domingo, o havia convocado, mercê da fragilidade de seu grande coração. Foi amado e respeitado por Diana, sua mulher, e pelas filhas Renata e Roberta, capazes e cidadãs do mundo. Marco César. Smile.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 04/10/2009.

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