Estamos alegres com a vitória da cidade do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas de 2016. O Rio é o espírito coletivo do Brasil. Mas poucos sabem que até o dia da nossa escolha já havia sido gasta a razoável quantia de 100 milhões de dólares com a preparação geral da campanha. Além da ação decisiva de Lula, muitos não sabem também que foi um americano, Scott Givens, antigo dirigente da Disney Entretenimentos, o coordenador oficioso dos projetos brasileiros de filmes, vídeos e afins mostrando as nossas vantagens competitivas sobre Chicago, Tókio e Madri para os olhares do COI, o Comitê Olímpico Internacional. Assim, além de Lula, seus ministros, atletas e convidados, o diretor de cinema Fernando Meirelles, dono da empresa 02, contratada para a produção dos filmes e vídeos, teve a seu lado a experiência do citado Scott Givens que até diretrizes deu para os discursos de dirigentes do nosso Comitê Olímpico e as “marcações cênicas” de centenas de atletas e autoridades convidados. Pelé, por exemplo, apareceu, mas não falou. Pesava o argumento que já havíamos ganhado a Copa de 2014 ou que cometeria gafes. Houve aprumo no trajar e até o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse lá para os 106 membros do COI: ”Yes, we can. We have money and conditions”(Sim, nós podemos. Nós temos dinheiro e condições). Afinal, o Rio foi escolhida por ser uma cidade maravilhosa. Todos se confraternizavam. Abraçavam-se, choravam, riram, mas, como ninguém é de ferro, contrataram parte do Hotel SKT Petri para a celebração noturna em Copenhague regada com vinho espanhol (seria o sangue dos madrilenos?). Como não poderia faltar, lá estava na festa, entre tantas figuras, uma cearense (os do Ceará estão em todas), a dançarina Márcia Lemos, 27, com um grupo de amigas, que aproveitou para guardar na bolsa vários pins(escudos) da campanha brasileira. A comida e a bebida foram livres e até o Ministro do Esporte, Orlando Silva, cantou, no palco, música de Ary Barroso. Ao final, para comprovar que o Rio é Rio, a festa se transformou em baile funk. Brasileiros, convidados e penetras confraternizavam descontraídos em variados teores alcoólicos. Enfim, a Rio-2016 está começando e são precisos 28 bilhões de dólares para que tudo esteja pronto. Quase nada, afinal, já estamos emprestando ao FMI. Rio, riso e choro.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 09/10/2009

