O nome margarida provém do Latim e significa pérola. Em geral, a pessoa com esse nome é especial, fora do comum. Apresenta preocupação com os outros, é fiel no amor e não se intromete com a vida pessoal ou amorosa de ninguém. Margarida é ainda: nome de flor, santa, mulher e mãe. Hoje é dia de uma Margarida especial. Ela nasceu exato neste dia 30 de outubro, em 1919, há 90 anos. Nasceu bonita, inteligente, espirituosa e forte como ainda o é. Filha do Farmacêutico João Caminha Monteiro e D. Luiza Saraiva Leão, ex-aluna do Colégio da Imaculada Conceição. Seu pai morreu de câncer com 41 anos e deixou, como herança, uma grande família de 13 filhos em fase de crescimento. A vida foi dura para D. Luiza e seus filhos.
Uma delas, Margarida, afilhada de batismo de Dionísio Torres, trabalhava em seu Laboratório no Joaquim Távora. Jovem, conheceu Francisco Bezerra de Oliveira, filho de João Soares de Oliveira e Joana Bezerra de Oliveira, seu único e definitivo amor. Quem sabe, pelos mistérios do insondável, ele parecia conhecera a letra da música Margarida, posteriormente, musicada por Gutemberg Guarabyra: “E retirando uma pedra, olé, olé, olá. Mais uma pedra não faz falta, olé seus cavaleiros. Que ainda correm pelo mundo. Ouçam só por um segundo que eu acabo de vencer: retirei pedras de orgulhos, majestades. Deixei todas de humildades, de amores sem remédio. Ela então se me rendeu. Eu já fui rei, já fui cantor, já fui guerreiro. E agora, enfim, sou companheiro da mulher que apareceu. Apareceu a Margarida, olé, olé, olá. Apareceu a Margarida, olé, seus cavalheiros”. E viveram 50 anos, em meio a lutas, problemas, superações, vitórias, e a educação – em colégios particulares – de 09 filhos. Todos vivos, independentes e com educação superior. Esses filhos casaram, geraram outros 24 filhos, seus netos, espalhados pelo Brasil e Europa, sendo advogados, administradores, psicóloga, psicanalista, médica, enfermeira, tradutora, fisioterapeuta, empresário, estudante da marinha e de medicina etc. E já existem 11 filhos dos netos, seus bisnetos. Margarida ao ficar viúva, em 17 de novembro de 1991, em meio a dores, assumiu, de direito, a liderança de toda a família que, por princípios, obediência e amor, a cerca de carinho e presença, mesmo os que moram no exterior.
Não saiu de sua casa. Ao contrário. Cuidou de suas árvores, plantas e flores no quintal, jardim e calçada e vê o seu dia correr cercada de verde e de gente. Vive de suas rendas, livre que é. Manda pintar sua casa, todos os anos, com cores por ela escolhidas. Sua grande varanda é um relicário com santos e fotos de todos. Ali ela reina. Seu café da manhã dominical é ponto de encontro de todos os filhos, netos e bisnetos. Um dia, sem avisar, levei o amigo Cléber Aquino para tomar o seu café e ele saiu de lá impressionado com o que viu. Isto sem falar que a cozinha da Margarida, administrada por D. Zilmar e D.Fátima, amigas e cuidadoras, está sempre aberta e abastecida para filhos e netos que, diariamente, sem prévio aviso, por lá aportam. Essa mulher de fé, ainda é formosa e temente a Deus. Orienta filhos e netos sem rodeios, com palavras lúcidas e certeiras na ponta da língua. Não desgruda os olhos vivos de seus programas favoritos nas estações de televisão católicas para ouvir e ver missas, orações e pregações. Hoje, receberá a homenagem de toda a família, filhos, noras, genros, netos, bisnetos, de seus irmãos ainda vivos, das amigas que a visitam sempre, dos vizinhos que a cumprimentam com admiração e, certamente, ouvirá os parabéns entoado por todos e cada um em seu louvor. Sua bênção, minha mãe.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 30/10/2009.

