REPÓRTER – Jornal O Estado

Gosto de notícias pelo rádio, jornal, televisão e Internet. Não a notícia requentada, mas aquela originada do trabalho de um repórter. O que vai atrás dos fatos, pesquisa, conversa, analisa, critica e a transmite, mesmo sabendo que a história possa estar incompleta ou em desdobramento. Atualmente, seja dirigindo o carro, sentado no computador, olhando a televisão ou folheando jornal, ficamos ouvindo, vendo ou lendo sobre o que acontece do mundo. É claro que há ênfase no noticiário local, mas os veículos de comunicação dão destaque ao que acontece no país e no mundo. Basta ver que jornais, agências de notícias e de televisão mantêm repórteres e até estúdios nos centros geradores de notícias. O que vale no repórter é não só a pauta ou tarefa que lhe é passada, mas o seu descortino, o jeito de ir fundo na matéria brotando de seus contatos, fontes básicas de informação, da conversa pretensamente solta com o povo e das testemunhas circunstanciais de quaisquer acontecimentos. Um exemplo desse fato é Macário Batista, viajante à cata de notícia pelo mundo. Escreve e mora aqui ao lado, mas vive de mala e cuia por tudo o que é lugar. Outro, o Wilson Ibiapina, saiu de Fortaleza para cobrir notícias de Brasília para o Sistema Verdes Mares e já mora a vários lustros naquela cidade. Todas as manhãs dá notícias na programação da Rádio Verdes Mares. Em Paris, Realli Jr., jornalista da Folha de São Paulo, se fixou e até escreveu livro sobre os fatos e as pessoas noticiadas em sua faina lá exercida há dezenas de anos.
Além dos repórteres generalistas, há os especializados em cobrir áreas diversas como política, economia, esportes, clima, artes, cultura etc. Todos esses ramos da reportagem nos mantêm – na comodidade de nossas vidas – capazes de saber o que está acontecendo com o país e os políticos; como vai indo o nosso trabalho ou dinheiro; as razões para nosso time ter ganhado ou perdido; o que temos para ver de melhor nos cinemas, teatros, exposições; a roupa que vestiremos etc. Ninguém se dá conta de como seria o mundo sem informação, sem o repórter que, no mínimo, procura destrinchar fatos e oferecer um sentido profissional à comunicação tão importante à vida de todos. Como todos têm o direito ao seu dia, amanhã será o Dia do Repórter, a quem a sociedade tanto deve e talvez nem disso saiba.

JOÃO SOARES NETO,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 15/02/2008.

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