A palavra independência soa forte para mim. No meu caso pessoal, o primeiro ato de “independência” foi não querer que ninguém me deixasse no colégio. Eu queria ir só. O máximo que consegui foi que alguém me seguisse a uma distância razoável. Eu era criança, mas queria independência. Depois, quando os anos correm, se descobre que há um preço alto a pagar pela independência. Para que ela aconteça temos que arcar com as consequências do viver. Cada ato que fazemos produz uma fagulha existencial que, queiramos ou não, tem implicação na vida das outras pessoas. Assim, tive que acatar e admitir a minha submissão até o dia em comecei a viver do meu trabalho. Lembrei de tudo isso a propósito do dia de amanhã, data consagrada à Inconfidência Mineira e a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Ele também queria a independência, não pensava em si, mas na submissão de todos à Coroa Portuguesa. O final, já sabemos. Só ele acabou sendo enforcado em 21 de abril de 1792, no Campo de Lampadosa, no Rio de Janeiro. Mas, estava plantada a semente da Independência que viria em 07 de setembro de 1822 e que só aconteceu porque José Bonifácio, que era conservador, brigava com Gonçalves Ledo, que era liberal. Bonifácio, juntamente com a Princesa –consorte – Leopoldina, fez a cabeça de D. Pedro e aí aconteceu o grito do Ipiranga. O fato é que D. Pedro andava muito por São Paulo a conversar com uma Marquesa e, no citado dia sete, voltava de Santos. O que não se diz é que a Independência custou caro ao Brasil, pois não aboliu a escravatura, não mexeu com a aristocracia rural e conseguiu o feito de falir o Banco do Brasil em 1829, quando, cansado dos trópicos, D. Pedro I volta a Portugal levando tudo o que tinha nos seus cofres, cerca de 50 milhões de cruzados. Além disso, aceitou pagar indenização de dois milhões de libras esterlinas a Portugal para a alegria dos ingleses, credores de Lisboa. E ele, que ‘rompera’ os laços com Portugal, paradoxalmente viria a ser, ainda por breve tempo, Rei de Portugal, como D. Pedro IV. Como se vê, o preço da Independência foi alto, mas eu deveria ter deixado para falar disso na Semana da Pátria e não hoje.
João Soares Neto,
escritor.
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 20/04/2008.

