CADA QUAL FAÇA SUA PARTE – Jornal O Estado

Estamos comemorando a Semana Internacional do Meio Ambiente e da Ecologia. Preservar o meio ambiente é uma preocupação recente da humanidade. Quando o cientista Charles Darwin concluiu que somos frutos da evolução das espécies e não, segundo ele, de algo sobrenatural, os homens tomaram conhecimento de que tinham de cuidar, por sua conta e risco, de sua casa, o planeta Terra. Tomar conhecimento é diferente de tomar consciência, pois esta precisa de sedimentação, discussão, transformação em uma ideia política e disseminação. A essa ideia política se deu o nome de Ecologia, palavra roubada do grego “oikos”- casa ou habitat – e de logo, que significa estudo, reflexão. Assim, a Ecologia pode ser entendida como o estudo das relações dos organismos uns com os outros e com todos os fatores naturais e sociais que compreendem o seu ambiente. Definida essa ideia, a humanidade começou a viver, no século XX, especialmente em seu último quarto, uma luta renhida para difundir, de forma clara e lúcida, o que eram e para que serviam os seres vivos, a luz, a água, o ar, o solo etc. A presunção de que éramos ou somos o único ser vivo inteligente não deixa de ser um óbice. A falta de humildade de encarar o problema, como se todos os recursos naturais fossem inesgotáveis, é produto de conveniências de um lado e de intransigências, de outro. A humanidade ainda não aprendeu a conviver em equilíbrio. Guerras, guerrilhas e lutas tribais estão vivas neste século, o tal da Agenda 21, que pretende ser a luz do mundo. Hoje, podemos mapear, via Google, todos os continentes com focos de conflito entre etnias, interesses econômicos e religiões. Isso provoca destruição de seres vivos, sejam homens, animais ou vegetais, bem como comprometimento da natureza por seu uso inadequado. As necessidades humanas, mesmo que em áreas pacíficas, cobram da natureza alimentos, casas e mobiliários que são feitos a partir da agricultura e da indústria. E, se de um lado, há necessidades desses bens, a ganância humana não estabelece limites e ignora o conceito de desenvolvimento sustentável: reposição de áreas devastadas de florestas, recuperação de cursos de água contaminados e do ar poluído pelo gás carbono que exala dos escapamentos de bilhões de veículos automotores e as indústrias. Esta conversa pode não parecer tão agradável para quem está acostumado a jogar ponta de cigarro, papel amassado e latas vazias em todos os lugares ou para os que acreditam que a natureza é a sua lixeira básica e lá depositam tudo o mais que lhes sobra. Fala-se em desenvolvimento sustentável, mas é preciso que cada pessoa, desde cedo, aprenda a fazer a sua parte, vivendo em harmonia com o meio-ambiente sem molestar todas as criaturas, sejam pessoas, animais ou as do reino vegetal. Pensar no mundo, mas cuidar de sua casa. Parece óbvio, mas não é.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 06/06/2008.

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