ESCRITOR, HOJE – Jornal O Estado

Escrevo em jornal desde meninote, 1962. O primo Pedro Henrique Saraiva Leão viajara e eu o substituí em “Informes Acadêmicos”, coluna diária do Correio do Ceará. Efetivei-me, em seguida. Depois, no mesmo jornal, passei a escrever –diariamente- por anos sobre “Administração e Negócios”. Daí até hoje, mesmo tendo que lutar para construir uma vida profissional como administrador de empresa, nunca abandonei a escrita. E o faço com amor, pois é preciso ir aprendendo a escrever, semear pensamentos, divulgar ideias, mostrar múltiplas visões de mundo, criticar, falar sobre livros/pessoas e interagir com os leitores. Não fico apenas no deleite da crônica, resvalo para artigos em que assumo posições, cobro posturas e aponto saídas para problemas concretos do povo e dos lugares. Hoje, na quase maturidade da vida, fico feliz em escrever, regular e semanalmente, para dois jornais impressos, neste O Estado e no Diário do Nordeste, aos domingos, e em dois renomados jornais eletrônicos nacionais: Carta Maior e Amigos do Livro.
Tudo isso foi relatado apenas para dizer que hoje, 25 de julho, é o Dia do Escritor. E por conta deste dia festivo é que homenageio alguns brasileiros que considero grandes escritores. O primeiro deles, Machado de Assis, o maior de todos, e nem precisa comentar. Em seguida, viriam os cearenses José de Alencar, político e referência da então emergente literatura brasileira, e Capistrano de Abreu. Este, apesar de ser um Historiador, escrevia cartas fabulosas. Fico, depois, com Monteiro Lobato, não só o escritor lembrado por “Sitio do Pica Pau Amarelo”, para crianças, mas o empresário destemido que até foi preso pela Ditadura de Vargas e o homem que se desnudou em “A Barca de Gleyre.” Daria para esquecer de Adolfo Caminha, moço que desafiou a sociedade burguesa de Fortaleza, brigou com a Marinha e assumiu um amor dito impossível? E o partinte José Alcides Pinto, santo e maldito, que escrevia bem para ele e por outros? Como não lembrar de Jorge Amado, com o seu erotismo à flor da pele?; do jeito gaúcho e belo de Érico Veríssimo construir romances?; da absoluta irreverência de Nelson Rodrigues?; e das dores e sentimentos de Clarice Lispector? E há tantos outros.
Aqui no Ceará atual, acima de quaisquer suspeitas, entre muitas escritoras, além, é claro, de Rachel de Queiroz, cito: Natércia Campos, Ângela Gutiérrez e a límpida e profunda Ana Miranda que acaba de ser laureada com a Sereia de Ouro. Dos homens vivos, não falo. São amigos ciumentos e os não citados me esganariam na primeira vez que me encontrassem nas ruas do Rosário e Dom Joaquim. Para terminar, com um pouco de pseudo erudição, cito Albert Camus, escritor argelino, que alguns pensam francês: “Aqueles que escrevem de modo claro têm leitores; aqueles que escrevem de modo escuro têm comentaristas”. Ou ainda, o americano Don Marquis, que dizia: “Se quiserdes enriquecer escrevendo, escreve o tipo de livros lidos por pessoas que movem os lábios quando leem para si mesmos”.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25/07/2008.

Sem categoria