Isabella é alemã, mas tem sangue brasileiro. Nasceu em um sete de setembro. Agora, jovem, culta, curiosa e minha afilhada, precisa saber mais sobre esta data. Digo primeiro que Napoleão Bonaparte deu um golpe, em 1799, e tomou o poder na França e queria a Europa toda. Contra Napoleão se insurgiram a Inglaterra, Prússia, Áustria e a Rússia. Por outro lado, é preciso falar que a Inglaterra mandava no mundo de então. Mandava até lá longe, em Portugal, onde o Marechal inglês Beresford tutelava a Corte lisboeta. Em 1808, a França invade Portugal. Prevenida, toda a realeza, D. João VI à frente, foge para o Brasil. Trouxeram móveis, artes e ouro. Tinham a segurança do oceano Atlântico a dividir os dois continentes. Aqui chegando, amedrontados e pragmáticos, resolveram abrir os portos às nações amigas. Quer dizer, à poderosa Inglaterra, sua tutora-aliada. Nesse mesmo tempo, o Brasil, então colônia – apenas produzia o permitido e mandava tudo para Portugal – já havia dado passos para ser livre. Tiradentes, um alferes mineiro, fora morto por suas ideias e surgiam conjurações/conspirações por toda a parte. A Corte se instala no Rio de Janeiro e ali fica até 1821, quando D. João VI volta para Portugal, em face da Revolução do Porto que pedia o fim do absolutismo português. Deixa seu filho Pedro como príncipe regente, a dirigir os destinos do Brasil – colônia. Acontece que havia políticos e aristocratas brasileiros que influenciavam a gestão do jovem e inexperiente D. Pedro. Entre eles, figuravam Gonçalves Ledo, Clemente Pereira e José Bonifácio. Este, a figura central da ação que culminou com a Independência em 07 de setembro de 1822. D. Pedro I viajara a São Paulo e, justo nesse dia, recebeu as costumeiras e abusivas ordens vindas de Portugal. Junto a essas ordens havia um bilhete de José Bonifácio em que dizia ser chegada a hora da libertação, pois havia clima interno, puxado pela maçonaria. Assim, às margens do riacho Ypiranga, D. Pedro disse as palavras: Independência ou Morte. Esse ato deflagrou o surgimento da nação brasileira que, desde então, luta para ser senhora de seu destino. Esta é a minha versão. Parabéns, Isabella. Viva o Brasil.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/09/2008.

