Afinal, o Ceará e o Fortaleza continuam na Segundona. Apenas isso. Fizeram um campeonato medíocre e não respeitaram os torcedores que têm e valem ouro. Há uma baixa organização gerencial. Fruto da emoção de dirigir um clube com a não aplicação efetiva de gestão empresarial. É claro que sei das boas intenções, paixões, mas nada disso justifica os descalabros que foram as nossas participações na série B do Campeonato Brasileiro. O Fortaleza só não foi rebaixado na última rodada e o Ceará não ganhou uma só partida fora do Castelão. Tirem o Corinthians e vejam os outros três classificados. Comparem as torcidas. Nós somos mais. Olhem os exemplos do Real Madrid, Chelsea e do Milan que têm torcidas cobradoras e são empresas com lucro. Ora dirão, lá é Europa. A diferença está na cabeça das pessoas. Pensar diferente faz sentido. Aqui no Brasil/Futebol e, especialmente, no Ceará não há planejamento, não se faz orçamento (e há base nas receitas dos anos anteriores), tudo é decidido na hora da crise sob emoção e pressão. Os técnicos contratados – e suas comissões auxiliares – são, dizem, apenas entregadores de camisa e, quando muito, motivadores. Não têm expressão no cenário do futebol e se preocupam apenas com seus contratos voláteis e a indicação de atletas. Não há sequência nos trabalhos anuais e os jovens valores sempre são perdidos. Ou porque não são descobertos a tempo ou por serem vendidos por nada para cobrirem rombos. Por outro lado, faz algum tempo que os dois clubes têm patrocinadores e deles recebem valores consideráveis. Recebem das loterias, sócios, percentuais dos jogos, venda de passes e transmissões pela TV. Sim, e daí, dirão vocês: qual a solução? A resposta poderia ser a humildade de admitir que o modelo usado seja caro, possa estar errado ou superado. Deveríamos aproveitar o novo campeonato cearense para formar quadros mesclados com jogadores jovens, sem vícios e que não ficassem meses com contusões discutíveis. É hora de repensar tudo, inclusive a gestão da Federação de Futebol que parece ter se exaurido no tempo. Não pesamos na CBF e o Estádio PV continua fechado.
João Soares Neto,
torcedor de futebol
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/12/2008.

