Brasília- Chego ao TCU faltando cinco minutos para as dez. Subo em elevador apinhado. Assento-me. Vejo o auditório lotado. Cearenses são a maioria. Muitas são as autoridades. As que conhecemos e as que vemos pela televisão. A Ministra Dilma Rousseff dá sorrisos comedidos e cumprimenta os próximos. O cerimonialista afirma que o Presidente Lula está na ante-sala e que a sessão deverá ser iniciada em minutos. O Ministro César Rocha, Presidente do STJ, precede a comitiva. Chega o Presidente Lula e é formada a mesa que inclui o Governador do Ceará, Cid Gomes, na sua extremidade esquerda. No outro extremo da mesa está o Procurador Geral do TCU, Lucas Furtado, também cearense. Ecoa a fala significativa e letrada do Ministro Marcos Vilaça que fala “sem os espartilhos da conveniência”, mas consegue florir com metáforas o ambiente vetusto e o próprio sentido institucional do TCU, citando Ruy Barbosa. Começa saudando o Presidente Lula como ‘brasileiro de Pernambuco’ e, com a alegria de um pássaro canoro, adentra os mares e os sertões cearenses para resgatar a história pessoal do talentoso cedrense, Ubiratan. Villaça destaca, com graça e modos, os muitos que fizeram e fazem a história política, cultural e social da terra de Alencar. É fala digna de um acadêmico brasileiro. Ele dá ênfase à necessidade de conjugar o combate à corrupção com a eliminação do desperdício e termina na companhia de Patativa do Assaré: “Canto o que minha alma sente, e o meu coração encerra, as coisas de minha terra e a vida de muita gente”. O Procurador Geral Lucas Furtado fala em nome dos que resguardam a atividade-fim do TCU, ao mesmo tempo em que o conteúdo de sua fala diz do seu saber, lucidez técnica e amor à terra comum. É a vez de o novo Presidente Ubiratan Aguiar contar e cantar sua alegria, trajetória e responsabilidade. O cuidado em citar, amigos, colegas, instituições, familiares e autoridades. Dá uma palavra especial de alento ao Vice-Presidente José Alencar e, sem perder o rumo de sua prosa-poética, vai dizendo, entre leve e austero, de seus sonhos e metas que serão traduzidas em ações conjuntas com outros órgãos contra as ventanias dos ímpios e os desmandos públicos, Dá, ao final, o destaque à mulher, filhos e netos, realça a figura de sua mãe como conselheira dos 10 filhos e evocando a lembrança do seu pai, a quem dedica o dia de sua posse. Pois foi assim, sem mais, nem menos, que vi, do meu jeito, tudo o que se passava e para não ter que ficar esperando para abraçar o novo presidente do TCU, em uma fila digna de show de Madonna, foi que corri para este cativo computador e registrei o que vi, antes que a minha pouco diáfana memória se esvaia. Parabéns.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12/12/2008.

