Ao findar o curso secundário, meu pai perguntou qual faculdade faria. Eu falei: Administração. Ele disse que não sabia o que era isso e que eu deveria fazer Medicina. Ligou para o amigo Ésio Pinheiro – que tinha um cursinho preparatório – e me matriculou. Só fui a uma semana de aulas e emburrei. Não voltei lá. Eu era teimoso e queria ser independente. Talvez, se meu pai não tivesse decidido tudo, teria concordado, pois gosto de Medicina.
Assim é que fiz Administração na turma pioneira do Ceará. Convivi, desde então, com várias designações da carreira. No princípio era Técnico em Administração, depois Bacharel em Administração. Em seguida, mudaram para Administrador, o nome atual. O que vale é o saber e não o nome que se dá ao curso. Hoje há uma consolidação dessa atividade, ciência ou profissão, mas o foco deve ser no aprendizado, no conhecimento e não no título.
É apropriado lembrar a história, pois em 1903, Henry Ford fundou nos USA uma fábrica de veículos e introduziu a linha de montagem e a quase automação. Surgiam os fundamentos do fordismo, criticados por C.Chaplin no filme “Tempos Modernos” e por A.Huxley no livro “Admirável Mundo Novo”. Ao mesmo tempo, Frederick Taylor concebia a ideia da racionalização do trabalho e dava embasamento teórico a essa “engenharia social”. Na França, Henri Fayol definia o seu lado conceitual.
Agora, nestes tempos informáticos e performáticos, há um número imenso de cursos de administração no Brasil. Sabe-se até que a carreira de Administrador já está quase empatando, em quantidade, com a de Advogado e isso será positivo se a qualidade dos cursos for boa, o que não é a regra. A par disso, explodiu no Brasil uma miríade de cursos de MBA e mestrados que, salvo exceções, não acrescentam muito ao aprendido na graduação e na prática: estudando, fazendo, pesquisando, experenciando e consertando. Hoje é o seu dia e esta é a era do Administrador, profissão do presente e de futuro, sem a qual a sociedade não mais saberia como sobreviver. Entretanto, é bom relembrar que só diploma não vale.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/09/2007.

