SETEMBRO – Diário do Nordeste

Passeio os olhos pelo calendário e vejo datas neste setembro. Desde 2001 o dia 11 passou a ser aziago, segundo alguns, como se infortúnios fossem culpados pelos desatinos dos homens, religiões e nações. O 11 é igual a todos os dias. Pouco antes dele, o da Independência, que já se foi e pode ainda não ter chegado. No dia 13, uma irmã querida, lutadora e vencedora, comemorou seu aniversário e a chegada da primeira neta. Maria Laura é filha de médicos e nasceu agora em Manaus, onde o pai foi cumprir missão e ficou, não colhendo borracha, como o faziam os antepassados que para lá iam fugindo de nossas calamidades. Foi com estetoscópio para auscultar corpos e almas. E a jovem mulher seguiu-lhe os passos e mergulhou na arte de curar. Os dois, neófitos na paternidade, sofrem como pacientes, o que prova o efêmero de tudo, e se alegram com a Maria, palavra que vem da língua hebraica e significa senhora soberana, com serenidade, força vital e vontade de viver. Maria também é Laura, derivada do Latim e diz de coroa de folhas de louro. Assim, Maria Laura, una, vem com energia e virtual coroa a encimar sua cabeça. Bem-vinda.
Depois, já quando Virgem se despede e resplandece o equilíbrio da Balança, comemoro o nascimento, no mesmo dia – por uma dessas coincidências da sorte – de duas filhas muito amadas. Tanto que não fazem ideia quanto. E como viver é também colecionar recordações, lembro de suas chegadas ao mundo, os primeiros dias na pré-escola, as muitas viagens em que traspassamos estradas desconhecidas e vislumbramos sonhos. E lembro bem de todas as beiras das tardes em que as via na minha volta para casa. Hoje, estão no desabrolhar da vida, com âncoras fundeadas no meu coração. E, ao vê-las, meus olhos sorriem de tal forma expressa que não entendo como todos não percebem.
Por fim, como nada é perfeito, virá o fim do mês e a lembrança de que o dia 30 foi e será sempre o dia de olhar nos espelhos do sentimento a imagem consolidada da amiga que partiu e está, pois fincou sensações de entranhamento que inundam o céu de esperanças, mesmo em meio à zelação que a vida impôs.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 16/09/2007.

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