“Pouca gente se torna senador por acaso; no mínimo isso requer certa megalomania, a crença de que, entre todas as pessoas talentosas de seu Estado, você, de alguma forma, está mais bem qualificado para representa-las; e é preciso crer que você está disposto a encarar o processo às vezes animador, às vezes angustiante, mas sempre levemente ridículo ao qual damos o nome de campanha. A maioria dos outros pecados dos políticos deriva desse pecado maior – a necessidade de vencer, que também é a necessidade de não perder. Certamente é disso que trata a busca pelo dinheiro de campanha. Houve uma época, antes das leis de financiamento de campanha e de jornalistas intrometidos, em que o dinheiro moldava a política pelos subornos; em que um político podia tratar o fundo de campanha como sua conta bancária particular e aceitar viagens nababescas custeadas com dinheiro público. Se é possível confiar na precisão das matérias jornalísticas recentes, essas formas grosseiras de corrupção não foram totalmente erradicadas”.
O dinheiro é incapaz de garantir a vitória – não pode comprar carisma, paixão, nem a capacidade contar uma história. Mas sem dinheiro, e as propagandas de televisão o consomem, a pessoa está basicamente fadada a perder. Há ainda outras forças que interferem no trabalho de senador. Por maior que seja a importância do dinheiro nas campanhas, não é somente a captação de fundos que coloca um candidato lá em cima. Seja como for, a abordagem dos grupos de interesse aos candidatos nem sempre é romântica. Para manter a participação ativa de seus membros e o fluxo de doações recebidas – e para serem ouvidos – os grupos que possuem algum impacto na política não estão interessados em promover o interesse público.”
As longas declarações aspeadas acima são de um senador. Pasmem, não é brasileiro. É de candidato a candidato atual à Presidente dos Estados Unidos da América. Falo de Barack Obama e tudo tirei do seu livro “A Audácia da Esperança”. Lá, como cá, há mais audácia que esperança.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/10/2007.

