Amanhã, 05 de novembro, será o Dia da Cultura. Na verdade, todos os dias são dias de cultura, pois as nossas vivências, valores, linguagens e técnicas vão construindo, de forma coletiva, a cultura. Não há como definir ou conceituar cultura em espaço tão pequeno. Ensaios e teses são instrumentos naturais para dissecar as múltiplas faces da cultura. Algumas pessoas imaginam que só artistas e intelectuais têm a ver com cultura. Bobagem. Tudo é cultura: música, cinema, teatro, artes visuais, livro, costumes, tradições, mitologia, esporte, folclore etc. Na hora em que participo, por exemplo, de um clube, estou vivendo um tipo de cultura que tem como base a camaradagem, o descompromisso, o espicaçamento do outro e, não por último, a própria cultura. Do mesmo modo, ao participar de uma reunião acadêmica que segue um determinado rito e cobra de seus membros produção cultural ou científica, estamos sedimentando outra forma de cultura. As torcidas organizadas de futebol, bandas de rock, conjuntos sertanejos, grupos políticos, instituições, classes, religiões, países, estados, cidades, bairros e famílias têm formas específicas de cultura. Dois pressupostos são básicos para se formar uma cultura: o sentimento de pertença ou identidade e o partilhamento de experiências pessoais que passam a constituir a cultura de um grupo.
Eu falava que amanhã será o Dia da Cultura que tem o objetivo duplo de homenagear a Rui Barbosa, nascido na data, e nos levar a pensar. A abstração nos mostra que os elementos culturais só existem porque pensamos. Há objetos materiais na cultura, mas se precisa da mente para que eles sejam sentidos, pensados e tenham função. Ninguém é dono da cultura, posto ser múltipla. Existe um relativismo cultural que mostra não podermos ser iguais e que não há cultura superior. Há, entretanto, pessoas especializadas em algo. Isso lhes dá uma identidade, mas não os torna superiores aos que não a têm ou optam por outra. Isso é diversidade. O outro não sou eu. Eu não sou ele. Logo, somos diferentes e, mesmo vivendo em um mesmo tempo e lugar, temos o direito de sermos únicos.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 04/11/2007.

