INSEGURANÇA, DESONESTIDADE E IMPOSTOS – Jornal O Estado

A maioria das pessoas com as quais converso só tem hoje três assuntos para falar: insegurança, desonestidade dos políticos e o absurdo dos impostos. Vamos à insegurança: falam em assaltos-relâmpagos, sequestros, assaltos e que tais. Já esqueceram a Copa perdida e ainda não se fixaram nas eleições de outubro. Adoram contar casos pessoais, de familiares e de figuras públicas. Contam como se tivessem narrando uma cena de novela e acreditam que suas versões são verdadeiras, pois souberam, por sofrimento próprio, ou narração das vítimas e de amigos íntimos. São detalhes mínimos, alguns meios cruéis, outros romantizados. Falam pouco do descaso na prestação da segurança pelas várias esferas de governo. O fato é que hoje ninguém se sente mais seguro, quer more na periferia, em casa com vigilância ou em condomínio-prisional, pois há guardas, câmeras, alarmes, grades e senhas de entrada. As casas viraram prisões, por conta do medo disseminado como uma peste e contaminando a todos.
A desonestidade dos políticos é outro assunto em moda. Falam com deboche, com escárnio, mas há muitas pessoas esclarecidas, mesmo assim, a prometer repetir votos em candidatos confessadamente comprometidos com os últimos escândalos que movimentaram comissões parlamentares de inquérito e deram manchetes a jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão. Alegam: todos são iguais, farinha do mesmo saco, e que ladrão por ladrão votam nos que ideologicamente lhes são mais próximos. Quanta incoerência, quanta irresponsabilidade e que exemplos dão quando são formadores de opinião e escancaram suas preferências por políticos que não podem negar a participação ativa ou passiva em corrupção pública.
A alta carga tributária é o terceiro assunto que mais ouço falar. Todos, do trabalhador avulso ao mais bem remunerado dos executivos, dão mais de quatro meses de salário ao governo. Ou dão sob a forma direta de imposto de renda ou sob a forma velada ao pagar ICMS da energia, de telefone, água e esgoto. De IPI na compra de bicicletas, motos, carros, roupas, sapatos e alimentos. Em tudo se paga imposto, desde o IPTU da casa onde moramos, ISS nos serviços, ao IPVA quando temos carros, como a CPMF em cada cheque que emitimos para pagar compromissos e impostos.
Se estivermos satisfeitos com insegurança, desonestidade dos políticos e a alta carga tributária que pagamos, devemos votar nos mesmos candidatos que elegemos e não fizeram nada para modificar a situação. Prometeram, mas não tiveram tempo em quatro anos para nos dar um mínimo de segurança, de cuidar de ser honestos e de baixar a carga tributária. Preocupem não, estão prometendo para o próximo mandato. Votem neles, de novo.

João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 18/08/2006.

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