Estes últimos feriados e domingos são dias reservados à preguiça, festas e Baco, mas bem que poderiam servir também para analisar o que fizemos de errado. O certo não precisa ser remexido, deve ser incorporado ao nosso modo de viver. O que deve ser mexido e remexido são os nossos erros, especialmente aqueles que repetimos ano após ano.
Se não fizermos isso, este ano vai ser mais um, igual ao que terminou anteontem. Vamos repetir o 2004 e ficar reclamando do Presidente da República, do governo do Estado, da prefeitura, dos deputados e vereadores, do nosso trabalho, da família, da imprensa, dos impostos, da falta de sorte, do sol, da lua e de nós mesmos.
Uma palavra que está na moda, embora velha, é atitude. A atitude se refere ao modo como procedemos e aos nossos propósitos de modificar atos que nós mesmos identificamos como incorretos, errados, deselegantes, dissimulados, falsos, mesquinhos etc. Aproveite que está sem ter muito o que fazer e liste as dez coisas que você faz e sempre lhe causam problemas, quer por sua natureza ou por causar prejuízos, vexames, tristeza ou medo. Este exercício pode ser uma prova de maturidade e o começo real de um novo ano. A propósito, novo é novidade, é o que é feito pela primeira vez, o que é atual ou original.
Sem querer dar conselho, pois tudo já é sabido ou óbvio, vou pensando por escrito, mesmo que fora de ordem. Eu imagino que o novo é procurar fazer sempre algo de bom e produtivo. É trabalhar procurando inovar e ter propósito definido. É respeitar os seus próprios limites. É pensar antes de dizer o que, em seguida, pode causar arrependimento. É amar sem medo e deixar-se amar sem peias. É tentar não ser vulgar e admitir que calar, na maioria das vezes, é bem melhor que falar. É tentar ouvir mais. É não contrair dívida sem saber se vai poder pagar. É não pedir e nem dar aval. É procurar falar a verdade, mas sem ser dono dela. É buscar aprender sempre. E se aprende na prática, com um bom livro ou ouvindo quem sabe. É admitir que sempre é possível poupar. E poupança dá segurança.
É relaxar quando o corpo dá sinais de alerta. É andar, correr ou mexer-se, seja de que forma for. É fazer exames médicos. É cultivar os amigos com suas manias e caturrices, mas também é ser leal e dizer quando algo não lhe agrada. É procurar agendar sua vida e compromissos, mas não se escravizar. É ter paciência, especialmente com crianças e os mais velhos. É não deixar de ter fé e acreditar, sem ser bobo ou piegas. É tentar ir resolvendo as coisas tão logo elas aconteçam para não deixar pendências. É não se escorar nos outros esperando solução.
Se não tivermos com uma cabeça nova, arejada, aberta, logo neste princípio de janeiro, podemos correr o risco de pagar pelo velho e o novo. Feliz 2005 e não um mero 2004 mais um.
João Soares Neto,
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 02/01/2005.

