NAS FRONTEIRAS DA TOLERÃNCIA

Dizia Balshenkof que “toda relação é um teste de limites”. Nunca há greve de sentimentos na vida. Assim parece ser na família, trabalho, sociedade, política, costumes e ordem social. Por esta e outras razões, nos dias 16,17 e 18 deste maio que finda, na cidade de Lisboa, estudiosos, cientistas, profissionais, acadêmicos e interessados de Portugal, Espanha e Brasil estiveram discutindo as fronteiras da tolerância sob os auspícios da Universidade Nova de Lisboa.
Na realidade, havia um Colóquio internacional e interdisciplinar tentando levantar questões e encontrar respostas envolvendo as perspectivas filosófica e histórica, cuidando de ver os direitos humanos e as liberdades do agir, pensar e da fé. Igualmente, analisava culturas e ciências, bem como o comportamento das minorias no ontem e no hoje.
Verificava-se, como claro é, que há ressurgimentos com sinais claros de intolerância ao redor do mundo, daí foi escolhido o nome de Pro Dignitate para o movimento que foi organizado e deflagrado pelas Dras. Maria de Jesus Barroso Soares e Maria Helena Carvalho dos Santos, auxiliadas por Mery Ruah e Antonio Andrade, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL. Na abertura dos trabalhos, a Dra. Barroso Soares disse que “as questões da tolerância e da intolerância atravessam transversalmente as sociedades” e falou também que “a história do mundo tem constantemente viajado entre esses caminhos, seja no plano político e religioso, seja relativamente a imigrantes e minorias, seja, ainda, no interior das famílias, escolas ou no mundo do trabalho”.
Assim é que se analisou, entre outros temas, o significado do humanismo, o papel da mídia, o direito de imigrar, a genética molecular, as liberdades individuais e coletivas, a violência contra a mulher, a prática da mutilação genital feminina em países africanos e do Oriente Médio, a xenofobia, os direitos humanos e a exclusão social.
Poderá alguém dizer que é muito tema para 03 dias de estudo. É e não é. Na verdade, cada um dos expositores teve o cuidado prévio de arrumar, por escrito, suas ideias que brevemente serão apresentadas em livro que circulará inicialmente em Portugal, mas poderá ter edições brasileira e espanhola. Como escreveu poeticamente a Profa. Maria Helena Carvalho dos Santos: “continuamos a escrever livros e aprendemos a fazer colóquios. Para quê? Talvez todos juntos estejamos em condições de aprender a escrever a palavra paz”.

João Soares Neto,
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/05/2005.

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