Neste domingo, deste mês de julho de tantas descobertas não científicas, o Ceará, depois de muita luta, recebe, com alegria e carinho, expressivo número de cientistas para mais uma Reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência –SBPC. Todas as reuniões serão na Universidade Estadual do Ceará –UECE, campus do Itaperi, um ambiente simples, acolhedor e agradável que reflete o nosso jeito de ser. “Do Sertão olhando o Mar” é o sugestivo leit motif do encontro.
E como ciência é uma palavra que comporta várias interpretações e gradações, certamente teremos manifestações diversas de conhecimento, todas passando, quem sabe, pela única definição clássica que penso ter aprendido de Ciência, aquela que se constitui um conjunto organizado de conhecimentos relativo à determinada área do saber, caracterizado por metodologia específica.
O grande problema de reunir luminares, aspirantes e afins é que existe uma ciumeira histórica entre cientistas dos vários ramos do conhecimento humano. Se sou físico (especialmente neste ano que é dedicado à física), certamente imagino que sou mais cientista que um sociólogo. Já o sociólogo (que acredita que todos os anos são deles) pensa exatamente o contrário e por aí vai. E o que ficará pensando o matemático disso tudo? Pois é.
Esquecida ou desaquecida a fogueira das vaidades, é importante que, mesmo com os naturais e benfazejos pensamentos conflitantes, cientistas das mais diversas áreas se reúnam e debatam livremente o que está acontecendo no mundo da produção científica, mas sem deixar de lado o que se passa no mundo real, base do nosso existir.
Não quero e nem sei falar sobre a filosofia da ciência, pensamento que vem desde o século XIX, mas este encontro deve reservar bastante tempo para reflexões sobre o Brasil atual e real, este que nos acolhe e encolhe em meio a diatribes de muitos imputadas a poucos.
É certo que não deve haver preconceito para rever posições e comportamentos em reunião de cientistas e, se isso acontecer, seguramente todos sairão ganhando, pois há temas que transcendem às pautas e teses a serem expostas e defendidas. E talvez seja o caso de nos lembrarmos da Ciência da Lógica de Hegel que a entendia não como o universal abstrato, mas o particular, o casuístico que modifica ou encarna o universal.
João Soares Neto,
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 17/07/2005.

