Em meio a denúncias, fofocas e afins, sobraram seis páginas na revista Veja desta semana (03.08.2005) para um assunto ameno: as melhores cidades brasileiras para solteiros. Para quem não leu a reportagem na Veja, vá em frente. De princípio, fique logo acertado, que solteiro é hoje: toda pessoa, mulher ou homem, maior de 18 anos que não tenha casado, ou seja separada, desquitada, divorciada, viúva e junta, mas nem tanto.
Há 52 milhões de solteiros no Brasil. De primeira remessa ou com muita estrada. A Veja quis saber o que fazem os solteiros e até estabeleceu “os critérios do ranking” das cidades: “A cidade precisa ser servida de bares, restaurantes e casas noturnas. Além disso, eles gastam mais com atividades culturais. Por isso, é importante que haja uma grande quantidade de teatros e cinemas”.
Na classificação, deu São Paulo na cabeça. Lá, os solteiros têm tudo o que querem. Será? Brasília ficou em 2° lugar, também pudera, com tanto dinheiro circulando. Curitiba está no 3°. Belo Horizonte, apesar das agências de publicidade, ficou em 4°. Salvador, onde tudo é mais lento, ficou em 5°. O Rio de tantos tiros e folguedos vem no 6°. Porto Alegre, com chimarrão e churrasco, está no 7°. Recife do mangue-beat se queda em 8°. Fortaleza, metida a não sei o quê, amargou o penúltimo lugar e Manaus, franca e calorenta, fica em último.
E tem mais: um em cada três solteiros de São Paulo fala no mínimo um idioma estrangeiro. Fala para o espelho? 33% dos brasilienses acessam a internet, certamente para ver como anda a sua conta bancária. Os curitibanos gostam de esportes radicais (40%). 87% dos belo-horizontinos adoram comprar roupas, pois há muito dinheiro. Em Salvador, o bom é beber. 66% frequentam bares e o resto vai para a academia. Trabalhar para que?
No Rio, a cidade das aparências, 69% gostam de experimentar novos produtos e marcas. Em Porto Alegre, 60% dos solteiros preferem ficar em casa, não se sabe se sós ou acompanhados, mas criam gatos e cachorros. 60% dos recifenses colocam o trabalho em primeiro lugar e talvez por isto continuem solteiros. Em Fortaleza, 44% saem para jantar e 35% dizem frequentar clubes ou afins.
Ao fim e ao cabo, apesar da superficialidade da reportagem e da crônica, fica a certeza de que mais de um 1/3 da população adulta brasileira mora só e parece não ver o casamento como solução ou segredo da felicidade. Egoísmo? É provável. Desapontamento? Todos têm desapontamentos. Insegurança emocional? Quem sabe. Mas, Sócrates já dizia que “um bom casamento exige que o homem seja surdo e a mulher cega”. Parece que os homens solteiros estão ouvindo bem e as mulheres solteiras cada vez enxergam melhor.
João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/08/2005.

