Já participei de muitos cursos, seminários, debates, jornadas e afins. Aqui e em outros países. Alguns são bons e deixam algo de positivo. Noutros, o que se ouve e vê, logo é esquecido, ou não serve para a vida. Não exagero. Esses surgem em ondas como modismo. Quem já não ouviu falar em reengenharia, qualidade total, leitura dinâmica, cinco S, planejamento estratégico e outros que tais? Eles chegam e logo aparecem “facilitadores” que cuidam de dar uma “visão sistêmica” e o uso do “data show” deixa a coisa mais bonita. É besteirol puro, quase sempre.
Eles têm que ter “coffee break”. Não vale uma paradinha para o café, tem que ser” coffee break”. Neles algumas palavras são aprendidas, anotadas e repassadas até para discursos ocos feitos em solenidades, muitos deles escritos por assessores. Fazem-no como desobriga e aí a lengalenga se torna bonita aos ouvidos de alguns oradores e certos basbaques que os aplaudem com pose de inteligente.
A propósito, isso me faz lembrar e-mail que tratava de palavras que hoje são usadas para tudo. Essas palavras servem hoje para: palestra, reunião de diretoria, encerramento de curso, entrevista, festa de tecnocrata, posse, recebimento de comendas e o diabo a quatro. Se você embaralhar as tais palavras da moda vai ficar um “gênio”. Não é brincadeira. Vou colocar as palavras, você poderá misturá-las e fará frases sensacionais. Quem sabe se não conseguirá aumento, ingressar ou continuar na política, ser convidado a participar de um grupo de trabalho ou algo parecido.
Palavras não têm donos. As frases, sim. Por tal razão é que juntei palavras que me repassaram com outras que tinha na memória. Vejam como são interessantes: paradigma, emblemático, agilizar, meta, exercício, sistema, risco, otimização, operacional, gestão, resultado, implantação, fundamentos, aderente, rendimento, melhorias, funding, portfólio, briefing, enfoque, desdobramento, rede ou network, responsável, cronograma, diagrama, banco de dados, desafio, volatilidade, inferência, estratégia, mentalidade, planilha, somatório, ação preventiva, nicho, proativo, influência, ponto futuro, automação, em princípio, a nível de, custos, agregar valor, business plan, master plan, introjetar, investir, consignado, ranking etc.
Experimente colocar essas palavras em cinco colunas com 10 em cada e depois vá fazendo combinações. Do jeito que quiser. Vou dar apenas dois curtos exemplos: 1) o paradigma é responsável pelos fundamentos e a sua estratégia cria um nicho proativo e agrega valor. 2) A rede ou network é um desafio, em princípio, mas seu enfoque de gestão e ação preventiva são um exercício responsável.
Pouco mais que 50 palavras e você estará pronto para qualquer parada.
João Soares Neto,
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/10/2005.

