FUTEBOL, JOGO SUJO

Luiz Fernando Veríssimo, Blanchard Girão, Carlos Augusto Viana e Airton Monte gostam de escrever sobre futebol. Nelson Rodrigues escrevia e torcia. Eu tento ficar ao largo, mas não dá mais para ter calma ou fair play, expressão inglesa que significa jogo limpo. Não há jogo limpo no futebol brasileiro de hoje. É jogo sujo, daí a revolta.
Fazia sete jogos que o Fortaleza não ganhava uma partida. Foi a Minas jogar contra o Atlético de lá e quase era roubado, mais uma vez. Conseguiu, por felicidade, superar um árbitro parcial que validou gol em impedimento e truncava os seus ataques. Neste brasileirão de tanta mutreta, árbitros confessamente desonestos e outros, que continuam apitando. Vamos aos fatos: nos últimos jogos, o Fortaleza tem tido jogadores expulsos, sofre gols em impedimento, além de receber uma marcação exagerada de faltas. Coincidência? Não é. Por essa razão, o Fortaleza tem que jogar mais. Há xenofobia na CBF contra equipes nordestinas e o Fortaleza é o último e único representante da Bahia ao Maranhão. Querem que o Fortaleza perca. Isso todo mundo de lá fala, só não diz expressamente. Os dirigentes do Fortaleza e da Federação do Ceará não protestam, acham que já é muito estar disputando a primeira divisão. É não. Está por mérito. Protestem. A imprensa não dá ênfase quando o árbitro rouba. Deviam escrever, dizer nas televisões: o juiz roubou. Ninguém faz uma reclamação formal, anexando vídeo, depoimentos etc. É assim que muitos times fazem. Pressionam e a coisa muda de figura. Ninguém erra contra São Paulo, Corinthians, Internacional etc. Contra o Fortaleza, sim. É só rever todos os teipes, anotar e protestar.
Além da roubalheira, o Fortaleza tem jogador que só dá para o gasto. Um exemplo: Marquinhos. Arrumadinho, é um “boleiro”. Há outros. O técnico Espinosa é pago para ver. Que veja. Por outro lado, Clodoaldo, de quem os preparadores físicos deveriam cuidar melhor, “come a bola” nos minutos em que joga. No jogo com o Palmeiras, por exemplo, o gol do Rinaldo veio de um passe de calcanhar de Clodoaldo. O penal que o Lúcio perdeu em outro jogo, foi cometido em Clodoaldo. Se tivesse cobrado, provavelmente teria convertido. Clodoaldo, quando joga, como na partida com o Atlético, sofre faltas próximas à grande área e, só agora, Igor começou a cobrar. O problema é que Clodoaldo e Igor são cearenses e baixinhos. O Fortaleza tem 21 pontos a disputar, precisa se impor perante a CBF e árbitros, e dar o retorno esperado por sua torcida. Fiel, ordeira e presente.

João Soares Neto,
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 30/10/2005.

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