O mês de julho serviu para debates e embates jurídicos se haveria ou não o Fortal, o carnaval fora de época. Cada dia parecia uma luta por medalha. Hoje, perde. Amanhã, ganha. Acabou havendo. Agora, neste final do mês de agosto, o Ceará vai virando um banco de cultura, do jeito que Lúcio Alcântara gosta e tenta, como intelectual assumido, sedimentar em nossa terra. Estou dizendo banco, no sentido de dizer que a cultura está viva por aqui, pulsando, com a troca de energia que torna as pessoas mais instruídas e valorizadas.
De um lado, no aterro da Praia de Iracema, encerra-se hoje o Circuito Cultural Banco do Brasil que tenta popularizar a cultura, torná-la pública, com atividades gratuitas e outras a preços baixos. Armou tendas na praia e apostou em atrair público, especialmente o jovem, aquele que ainda está descobrindo que a curiosidade é filha da informação. E a informação é mãe do conhecimento. E o pai de tudo isso é o saber. Essa coisa que vai ficando sedimentada em nós, depois que todos os nossos sentidos são aguçados e resta lá no fundo da mente. O objetivo era que os jovens de idade e os de espírito deixassem suas tocas, unissem suas tribos e vestissem suas roupas de guerra, os seus “abadás”, nesta Fortal cultural, sem música baiana e sem confusão, e se misturassem, perguntassem, ouvissem, cantassem, discutissem e tentassem aprender e apreender um pouco sobre a arte e a cultura.
Ao mesmo tempo, já começou a Bienal Internacional do Livro do Ceará, um charmoso evento que vai até o dia 07 de setembro. Com sede fixa no Centro de Convenções, estará também espalhada por alguns pontos da cidade. Será a Bienal fora da Bienal. É só acompanhar a programação pelo jornal, que dará destaques diários aos acontecimentos. A Bienal tem milhares de livros de autores consagrados, estreantes, clássicos e populares e as muitas editoras vão brigar para vender bem. Haverá mostras, reuniões, shows, atrações musicais, debates, travessias, gastronomia, declamações, instalações, e, claro, até vendas de livros a preços promocionais com a presença e autógrafos de escritores brasileiros e estrangeiros.
O livro, desde que lido, é uma excelente moeda de troca no jogo da vida, especialmente neste Século XXI. O livro é também o amigo mais disponível e nunca reclama quando mexemos com ele. Ninguém é solitário se gosta de ler. A Bienal é uma feira livre de cultura, mercado aberto do saber e lugar agradável para se ver gente inteligente ou que posa de “culturette” com alguns livros debaixo do braço ou em uma sacola. Essa é uma programação recomendada até para quem não gosta de ler, o que não é o seu caso, pois se assim fosse você não estaria finalizando a leitura deste artigo.
João Soares Neto,
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/08/2004.

