Parece que os brasileiros com razoável nível de conhecimento não confiam muito na capacidade de Felipe Scolari. Suas entrevistas às estações de televisão demonstram, salvo erro da maioria, como é tosco o técnico da seleção brasileira de futebol. Quando jogador era defensor, daqueles que a bola passa e o adversário fica. Dizem que Felipe Scolari tem curso de educação física. Se o tiver, deve ter sido um desses muitos que pululam por aí afora e que não merecem comentários.
Já vai longe o tempo em que um técnico em qualquer área esportiva era um mero entregador de camisas. Os técnicos modernos, além de conhecerem a sua profissão, devem ser proativos, motivadores, líderes com características de ousadia e intuição da exigência de novos conceitos para modificar velhas abordagens, de tal modo a aproveitar o potencial de cada atleta. E, para usar uma palavra da moda, precisam entender de planejamento estratégico.
Basta ver o comercial de um refrigerante em que Felipe Scolari atua como garoto-propaganda para sentir que, apesar de todos os ensaios e recursos publicitários, o nosso selecionador fica de sofrível a medíocre. Não precisa ser filólogo para saber que os aumentativos usados nos prenomes são, via de regra, resultantes de dois fatos: ou a pessoa é gorda ou é considerada bronca, desajeitada, debochada etc. O nosso Felipe é Felipão e não é gordo.
A futrica da convocação ou não, de Romário demonstra à saciedade o nível do futebol brasileiro atual. Romário ainda é um grande jogador, mas está com 36 anos e leva uma vida extracampo que todos conhecem. Apesar disso, é objeto de pesquisas, pedidos de políticos e destemperos verbais do treinador. Ora, se um país deseja que a sua seleção de futebol seja campeã não deve – e nem pode – depender de qualquer jogador e sim de uma equipe homogênea, mas a cada jogo a escalação muda e um empate com Portugal é saudado como positivo.
Espero que estas minhas observações, feitas 40 dias antes do início da Copa, estejam erradas e que a seleção brasileira de futebol saía da Ásia como campeã, mas desafio a qualquer leitor para dizer agora, pelo menos, o nome de sete jogadores que considera titulares. Escreva e confira depois. Desafio também que digam os nomes dos clubes e os países em que esses jogadores atuam. Hoje, mais que nunca, o futebol está contaminado por interesses de empresas multinacionais sem pátria ou emoção e de muitas pessoas que vivem do futebol sem saber nada dele.
Vou torcer pela seleção, é claro. Mas não acredito que haja tempo de escolarizar esta seleção, de torná-la crível. Acordarei pela madrugada, gritarei, xingarei, mas, em sã consciência, não faço fé. Aceitam apostas?
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 28/04/2002.

