Falar de “crack” não é assunto agradável. Acontece que o Brasil está perdendo boa parte de sua juventude para as drogas. O “crack” é uma delas e, certamente, das mais perigosas. O verbo inglês “to crack” significa quebrar. Daí o nome da droga, pois surgem pequenos barulhos -ou quebras – quando os cristais são queimados. Seria uma espécie de pipocar. O “crack” brotou nos anos 80 nos Estados Unidos e seu uso, inicialmente, atendeu as classes mais pobres que não podiam consumir cocaína. Ele é produzido de forma simples, a partir da mistura da pasta impura da cocaína, bicarbonato de sódio e água, como elemento agregador para formar a “pedra”. Os especialistas dizem que o crack – depois de queimado e aspirado em cachimbos, latas de bebidas furadas e afins- atinge o sistema nervoso central em dez segundos. Daí o sentimento imediato de euforia que dura, no máximo, dez minutos. Após a euforia, vêm a depressão e crises de paranoia, induzindo o usuário a voltar a tomar. Cria-se o círculo vicioso e, rápido, a dependência se instala. Ao ser inalado ou fumado, o crack aumenta a temperatura do corpo e pode, inclusive, ocasionar AVC- acidente vascular cerebral, destruição de neurônios e degeneração da massa muscular, pois inibe a fome e causa insônia. É comum que o já viciado se torne violento com familiares e passe a praticar furtos e delitos para conseguir comprar a droga que “repõe a sua energia”. O Brasil tem milhares de dependentes. Em qualquer cidade se vê, em todos os cantos, a fortuita brasa vermelha que é consumida por grupos de jovens formando uma espécie de círculo. A cidade de São Paulo tem a “Cracolândia”. Lá, dia e noite, comercializa-se essa e outras drogas. Agora, o prefeito Gilberto Kassab, tenta apelar para a prisão dos viciados que não aceitam o tratamento com abstinência. Falta, dizem juristas, amparo legal, pois isso cerceia o direito de ir e vir, assegurado pela Constituição. Em Fortaleza, de janeiro a maio deste ano, foram realizadas 1.611 operações de apreensão de crack, com um crescimento, em relação ao ano anterior, de quase 50%. Você está atento ao problema? Conhece algum usuário de crack? Faça a sua parte.
João Soares Neto
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 26/06/2001.

