QUEM SOMOS NÓS?

Será que realmente sabemos quem somos? Ou será que imaginamos ser uma pessoa e somos outra?
Você, eu, nós temos uma autoimagem construída a partir do que achamos que somos e de como imaginamos que os outros nos vêem. Os espelhos em que nos miramos, apenas, mostram um reflexo. Da mesma forma, a nossa auto-imagem é ilusória, embora pensemos ser ela real.
Ora, se a auto-imagem é uma miragem, ela, por certo, não nos ajuda nos momentos reais em que precisamos ver o mundo e as pessoas com clareza e sem as distorções e os antolhos de nossos preconceitos e defeitos.
Cada um deve ter a consciência de que, em determinadas ocasiões e situações, desconhecemos os nossos pontos fracos. Reconhecer os nossos pontos fracos é um “start” na reviravolta talvez necessária em nossos comportamentos. Daí, é partir para mudanças, ao invés de tentar camuflar nossos defeitos – comum a tantas pessoas – e impedir o nosso desenvolvimento como pessoa.
O que fazer, então, para nos tornarmos mais verdadeiros, menos sujeitos às tiranias da auto-imagem e do que os outros pensam a nosso respeito?
Não sei bem a resposta. Podemos, apesar disso, ir tentando descobrir juntos. Descubra, por exemplo, como você é para você mesmo (quando está só) e como você é ou aparenta ser para os outros. Não tenha medo de dar uma de detetive e siga sua história e seus próprios passos e imagine-se um Sherlock Holmes, a seu próprio serviço. Fotografe-se mentalmente, grave-se, escute-se, veja o seu modo de andar, gesticular, comer, beber e encarar as pessoas. Certamente, como diria o próprio personagem de Conan Doyle, será elementar descobrir quem é você, sem esconder o que tem de positivo e de negativo.
Na hora em que você começar a se enxergar com clareza e se aceitar sem receios, certamente haverá uma fusão entre o seu “eu real” e o “eu produzido” para consumo externo”. Sendo uno, fundido em sentimento e verdade, sem medo de seus defeitos, você emergirá do meio das tormentas, derrubará os muros ao seu redor e, certamente, passará por um processo de crescimento, sem desperdiçar energia, tentando mentir, fingir, enganar-se ou enganar os outros.
A partir daí, certamente, tornar-se-á mais fácil viver com simplicidade, clareza, agir com firmeza, perseguir seus objetivos com determinação e enxergar as qualidades das pessoas que realmente contam e com as quais convivemos ou pretendemos conviver.
Nunca é demais lembrar, como dizia Gilbert Arland, “que quando um arqueiro erra um alvo, vai buscar o erro dentro de si mesmo. Se você não acerta na mosca, isso não é culpa do alvo. Para melhorar a sua mira, melhore a si mesmo”. Nunca culpe a flecha ou o alvo, tente acertar a pontaria.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 21/05/2000.

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