O México está vivendo neste domingo, 02 de julho, uma data extremamente importante. Serão realizadas eleições gerais em todos os níveis. Cerca de 58 milhões de mexicanos irão às urnas para escolher o novo Presidente da República, 500 deputados, 128 senadores, prefeitos e vereadores.
O México é pouco conhecido para a maioria dos brasileiros que o associam a “sombreros”, “tequillas”, “tacos”, mariacchis”, às praias de Cancún e Cozumel, às novelas que a SBT retransmite e à grande população (20 milhões) de seu Distrito Federal. O México é mais que isso .É um país que luta tenazmente para conseguir um estágio de crescimento que permita a diminuição das suas desigualdades sociais. E o faz demonstrando uma grande pujança econômica, após a crise eclodida em dezembro de 1994. O petróleo e as empresas montadoras decorrentes do NAFTA, entre outros, dão ao México um relativo suporte para seguir em busca de seu grande destino.
Com uma população de quase cem milhões de habitantes, vive um instante importante nas suas exportações com 150 bilhões de dólares neste ano de 2000 a uma taxa de crescimento de 5% do seu Produto Interno Bruto, com uma característica especial. Das 40 mil empresas exportadoras estabelecidas no México, 95% são pequenas e médias
Sendo a segunda economia latino-americana – e o país latino mais próximo dos Estados Unidos- está sob os holofotes da imprensa internacional, inclusive brasileira, neste instante significativo de sua trajetória em busca da sua consolidação democrática.
Observadores, jornalistas e integrantes de organizações governamentais internacionais e ONG’s estão dando especial atenção ao processo eleitoral de hoje que escolherá, para um único mandato de seis anos, o novo presidente da República, pois no México não há nem reeleição, tampouco segundo turno.
Esse caldeirão,reunindo progresso e ainda desigualdades, tem sido o principal argumento dos três principais candidatos à sucessão do Presidente Ernesto Zedillo que assegura um pleito limpo, pois, segundo ele “o sistema eleitoral mexicano é eficiente e os resultados serão transparentes”.
Os três candidatos mais fortes são Francisco Labastida Ochoa, do Partido Revolucionário Institucional, Vicente Fox Quesada, da Aliança pela Mudança (Pan/Pvem) e Cuaúhtemoc Cárdenas da Aliança por México (Prd/Pt/Psn/Pás/Cd).
Os candidatos com mais chances de vencer são Francisco Labastida Ochoa e Vicente Fox Quesada que estão praticamente empatados em todas as pesquisas de opinião levadas a efeito.
Com matizes ideológicos semelhantes, os dois principais candidatos focaram as suas campanhas em ataques aos adversários e na indicação de soluções para os problemas da nação, sob a proteção da dualidade cósmica da águia e do jaguar, que representam o dia e a noite, o céu e a terra mexicanos. Isto sem falar em orações à Virgem Morena (N.Sra. de Guadalupe), apesar do país ser laico.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 02/07/2000.

